Representantes de mais de 170 países dos cinco continentes participaram durante toda essa semana, entre os dias 12 e 17 de abril, do 7º Fórum Mundial da Água (7th World Water Forum 2015), realizado nas cidades de Daegu e Gyeongju, na República da Coréia do Sul. Entre os participantes, um único representante do Nordeste brasileiro: o geógrafo Luiz Carlos Sousa Silva, mestre e doutor em Geografia pela Universidade Federal de Sergipe (UFS).
"Para o mundo, nesse momento de crise hídrica, o mais importante é inserir o tema recursos hídricos na agenda política mundial. Para tanto, está sendo feito um enorme esforço para adequar as diversas e diferentes visões que os tomadores de decisões têm sobre esse recurso vital, baseado na disponibilidade de cada país, na demanda, na infraestrutura, no consumo consciente e nas reservas futuras de água", definiu Luiz Carlos.
Apontado como o mais importante evento sobre política de recursos hídricos do mundo, o Fórum reuniu representantes de governos, empresas dos diversos setores e segmentos que trabalham com água, industriais, agricultores, estudantes, gestores, ambientalistas, pesquisadores e acadêmicos. "Aqui se discute sobre tudo e de forma macro, vários temas relevantes da gestão dos recursos hídricos, das mudanças climáticas, da disponibilidade de água nos cinco continentes, da água futura, da sustentabilidade e da segurança hídrica para os países mais pobres (haja vista um grande número de representantes de países africanos participando de todas as discussões aqui), do consumo consciente, do meio ambiente e, principalmente, da governança da água, devido ao grande número de bacias hidrográficas transfronteiriças existente no mundo", disse o sergipano.
Além de funcionário da Deso, Luiz Carlos Sousa é professor da rede estadual de Sergipe. Participa do fórum na Coréia como diretor da Região Nordeste da Rede Brasil de Organismos de Bacias Hidrográficas – REBOB e coordenador adjunto do Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas – FNCBH. "Sendo a REBOB o órgão responsável pela organização do Pavilhão Brasil aqui na Coréia, toda diretoria foi designada a participar, fazendo parte da delegação brasileira no evento", explicou, ressaltando que o próximo Fórum Mundial da Água, em 2018, será realizado no Brasil, em Brasília.
"Além da vasta experiência em gestão de recursos hídricos, viemos para a Coréia também para convidar o mundo a estar presente em nosso país daqui a três anos. Participamos de diversos painéis de decisões e de vários temas diferentes em todo o evento. Temos como presidente do Conselho Mundial da Água, um brasileiro, o professor Benedito Braga, sendo esse a maior autoridade nesse Fórum, depois da presidenta da Coréia do Sul, Park Geun-Hye".
Com exclusividade para o Jornal do Dia, o geógrafo explicou que no fórum as questões eram colocadas e discutidas de forma macro, ou seja, que afetam um continente ou um país, sem espaço para as questões pontuais, locais. "De tudo, o mais importante é ver como se estabelece a questão da gestão dos recursos hídricos em diferentes países de diferentes bacias hidrográficas. Nesse momento, o papel de Sergipe, como de outros estados da federação aqui representados, é mais de absorver e de trocar informações com representantes de outros países, e isso temos feito diuturnamente. Levaremos para o nosso Estado uma experiência inigualável de como os diversos sistemas de gestão e de políticas hídricas funcionam nas diferentes partes do mundo, como também várias formas de aprendizado e de intercambio", afirmou Luiz Carlos.
"Mesmo ocorrendo num curto espaço de tempo, uma semana apenas, percebemos a preocupação dos diferentes países em manter uma agenda de discussão permanente e de integração entre as diferentes experiências dos diferentes países, sobre o tema recursos hídricos. Saio daqui satisfeito em ver que não estamos na inércia diante de um problema global de tamanha magnitude, diante de crises e de já existentes colapsos de um elemento vital. O mundo está preocupado com o futuro da humanidade e da vida no Planeta. Portanto, vimos aqui a esperança e o futuro em discussão", resumiu o sergipano, avaliando como positiva sua participação no evento.


