Situação dos terminais de integração em Aracaju preocupa população

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Passageiros do transporte público de Aracaju voltam a se manifestar contra a falta de iluminação e manutenção de banheiros em todos os terminais de integração na capital sergipana. Como se não bastasse a falta de estrutura desses espaços, a segurança permanece fragilizada e causa desconforto para quem necessita transitar diariamente pelos corredores escuros sem nenhum tipo de monitoramento eletrônico. Independente de ter, ou não, viaturas da Guarda Municipal nas extremidades do terminal do Distrito Industrial (DIA), onde passam mais de 15 mil pessoas diariamente, arrastões promovidos por grupos de marginais têm se tornado fato comum. Diante de toda essa situação recorrente, só quem continua a perder é o usuário do sistema que paga uma tarifa de R$ 2,75 por um serviço cada vez mais problemático.

A ironia de toda essa situação, ainda referindo-se ao DIA, reflete na proximidade que este terminal possui junto à Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) e do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), órgãos responsáveis pelos estudos técnicos, detalhados e cheios de leis na hora de debater o reajuste no valor da passagem, mas que deixam a desejar no momento de melhorar o serviço destinado ao povo. Nos últimos anos (junho de 2013; e janeiro de 2015), mesmo debaixo de críticas e reivindicações populares os projetos de aumento da tarifa foram aprovados por vereadores da capital e sancionados pelo prefeito João Alves Filho. Neste período, o reajuste total foi de R$ 0,50 e a promessa sempre a mesma: ‘melhorar o sistema de transporte coletivo’.

Mesmo diante da situação negativa, existe um seleto grupo de otimistas – muito deles gestores ou cargos em comissão da prefeitura – que apontam a aquisição de novos ônibus como um grande avanço para os aracajuanos. De fato houve essa melhoria, mas quando se refere a qualificações em pontos de ônibus e terminais de integração ninguém explica o motivo para tanto descaso. Conforme planilhas de estudos elaboradas por advogados de movimentos sociais contra os reajustes das passagens, todo mês, em média, 20 mil reais deveriam ser investidos nos terminais. Quem passa todos os dias por estes ambientes não consegue encontrar onde foram realmente depositados estes investimentos financeiros da administração municipal.

Esse é o caso do estudante Lauro Macêdo que disse ter sido assaltado nos terminais DIA e Atalaia em três oportunidades. "Quem aguenta mais com essa irresponsabilidade toda? Somos obrigados a pagar caro por um serviço de péssimo atendimento que não demonstra nenhum sinal de avanço. Adquiriram alguns novos ônibus, mas a irregularidade em horários continua, muitas vezes o motorista é obrigado a se desdobrar em cobrador também e onde está a melhoria que gente da prefeitura diz ter? ", afirmou.

Nos 100 primeiros dias do ano o espaço protagonizou cenas de assalto a ônibus, furto qualificado, falta de segurança noturna e intenso movimento de usuários e traficantes de entorpecentes. Os problemas são os mesmos, a recorrência dos atos ilícitos apresentam avanços mensais, mas pouco é promovido pelo poder público a fim de alterar este cenário. Ciente que os vereadores eleitos em 2012 para defender as causas populares pouco devem fazer até o final do mandato, os passageiros recorrem ao Ministério Público Estadual (MPE), na expectativa de usufruir de algum benefício real a ser implantado por João Alves nos quatro anos de mandato.
 
Centro – Deteriorado, o terminal do Centro, um dos mais movimentados da capital, também apresenta falta de manutenção. Com banheiros interditados e centenas de pontos de ferrugem, a vulnerabilidade para acidentes está presente no dia-a-dia de mais de 20 mil aracajuanos que transitam pelo espaço. Comerciante da área central há 21 anos, a vendedora de frutas Maria de Lourdes disse não acreditar na estrutura física do terminal. "Vejam como as grades estão enferrujadas e o teto cheio de rachaduras. Em dias de sol quando eu vou pra casa ou venho para o trabalho não fico debaixo dessa cobertura, imagine na chuva que caiu na semana passada. Eu mesmo não confio", alegou.

Durante a elaboração desta matéria o Jornal do Dia tentou obter esclarecimentos quanto a denuncia dos usuários junto ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp), mas nenhuma resposta foi apresentada pelos diretores. Num segundo momento a superintendência da SMTT foi questionada quanto a ocorrência. De acordo com Flávio Vasconcelos, a Prefeitura de Aracaju vem debatendo de forma constante as medidas de qualificação de todos os terminais de integração instalados na capital.

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