Milton Alves Júnior
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Servidores públicos que atuam no Siste-ma Único de Saúde (SUS) realizaram na manhã de ontem mais um protesto em frente ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Insatisfeitos com a falta de diálogo entre as categorias e o Governo do Estado, os profissionais decidiram aderir a uma paralisação unificada de 48 horas que também conta com o apoio de mais 11 sindicatos, além do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde (Sintasa), do Sindicato dos Médicos (Sindimed) e do Sindicato dos Enfermeiros (Seese), que integraram o movimento de ontem. A luta da categoria é por reajuste salarial, imediata melhoria nas condições de trabalho, e convocação de mais profissionais através da criação de novos concursos públicos. Os sindicalistas garantem que o atual quadro de servidores é insuficiente para atender a demanda de pacientes.
Durante o ato, que reuniu cerca de 120 pessoas, foi declarada a possibilidade de encerrar os protestos e não mais prejudicar os pacientes já a partir dos próximos dias. Porém, para que isso de fato aconteça, é preciso que a Secretaria de Estado da Saúde (SES) amplie as rodadas de negociações junto à classe trabalhadora. De acordo com José Menezes, vice-presidente do Sindimed, outras reivindicações formam o pleito dos servidores da saúde, mas para que possam ser oficialmente apresentado os gestores estaduais devem se mostrar interessados em discutir o assunto e agendar audiências. Caso o pedido não seja atendido conforme almejado, os sindicalistas não descartam a possibilidade de greves por tempo indeterminado.
"O que estamos percebendo é que ao longo dos últimos anos os governos estão tirando nossos direitos previstos na constituição, a inflação dos anos anteriores não está sendo corrigida no nosso salário como deveria ser, e isso além de incomodar, também deixa qualquer um desmotivado para exercer suas atividades. Outro ponto a destacar refere-se à implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) que até agora não saiu. O pior disso tudo é que ninguém do Estado se mostra interessado em debater a situação", afirmou. Por respeito à Constituição Federal, todas as categorias de saúde que integram o movimento disponibilizaram 30% do efetivo para continuar fornecendo assistência hospitalar aos pacientes em busca de atendimento. A perspectiva é que o sistema volte a ser normalizado na manhã deste sábado, 18.
Coordenado pela Central Brasileira dos Trabalhadores e Trabalhadoras (CTB/SE), e pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o ato grevista contou também com o apoio do Sindicato dos Servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que desde a última terça-feira, 14, colabora com as mobilizações. Na avaliação de Shirley Moraes, presidente do Seese, por presenciar contínuos retrocessos, a adesão dos funcionários públicos alcançou mais de 80% do efetivo. Crítica, ela enaltece que desde o ano passado não há diálogo junto aos gestores. "Precisamos ser ouvidos e infelizmente o governo não se mostra interessado em sentar com os sindicatos e apresentar propostas ou contrapropostas que satisfaçam o trabalhador. Não nos reunimos com a SES desde o primeiro semestre de 2014", afirmou.
Pelo Governo de Sergipe foi dito que as categorias estão marcando reuniões com as secretarias e demais órgãos que são vinculados com o propósito de compartilhar as situações que incomodam os servidores e buscar soluções para os impasses. Reuniões extraordinárias já foram promovidas junto à Seplag, SSP e pela Seed. Disposto a ampliar as negociações, o Governo do Estado reafirmou ao Jornal do Dia total interesse em seguir com as reuniões progressistas.


