Kátia Azevedo
A pressão por melhores salários e condições de trabalho vem aumentando a crescente adesão de categorias de trabalhadores a movimentos grevistas em Sergipe. Os impactos das paralisações já são visíveis na oferta de serviços, especialmente na área de saúde, cujas categorias são a maioria entre outros grupos de trabalhadores que já paralisaram as atividades.
Além das greves que já foram deflagradas no serviço público, outras estão em andamento no setor privado, como a dos trabalhadores da construção civil e rodoviários que lutam por mudanças salarias e condições de trabalho.
Entre as categorias da saúde em greve, estão os servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). "Enquanto o governo não apresentar uma proposta não voltaremos. Por enquanto, ainda não há acordo", disse ontem o presidente do Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Sergipe, Adilson Ferreira Melo.
Ontem pela manhã, a categoria participou de uma audiência com o Ministério Público na sede do Samu.
Os profissionais reivindicam o reajuste salarial 2012-2014; melhores condições de trabalho, incluindo instalações físicas; Acordo Coletivo e discussão sobre a situação dos servidores que operam as unidades móveis em Aracaju e perderam benefícios com o processo de fusão dos Samu´s. Segundo a categoria, os operadores do Samu têm hoje uma deflação salarial de 21,5%. Os servidores também reclamam da falta de manutenção das viaturas.
A greve afetou diretamente a quantidade de unidades móveis em circulação. Desde quinta-feira, primeiro dia da suspensão dos serviços, estão funcionando apenas 60% das ambulâncias que prestam atendimento intensivo, 40% das unidades de suporte básico, 50% das motolâncias e 30% do contingente administrativo. Segundo o Sindicato dos Condutores de Ambulância do Estado de Sergipe, os atendimentos devem ter uma queda pela metade, chegando a 250 por dia no período de paralisação.
A categoria participa nesta manhã de uma reunião com a Superintendência do Samu para discutir as reivindicações dos servidores. Também está mantida agenda de mobilização com panfletagem e outras atividades para os próximos dias.
A greve envolvendo o Samu conta com a participação dos servidores ligados ao Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe e o Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa).
Além dos servidores do Samu, também estão em greve os profissionais de nível médio que atuam nos postos de saúde de Aracaju. A categoria realizou uma mobilização na frente do Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, com a organização do Sintasa, para cobrar do prefeito João Alves uma posição sobre as reivindicações da categoria como o reajuste salarial e melhores condições de trabalho.
Os servidores também estão cobrando mais medicamentos nas unidades de saúde e a incorporação das gratificações. Também neste item, a categoria reivindica a isonomia das incorporações das áreas de risco. Segundo os servidores, somente quatro unidades pagam o beneficio.
O sindicato também está mobilizando a categoria que atua na rede estadual. A diretoria do Sintasa entregou um ofício à Fundação Hospitalar de Saúde (FHS) informando que está aguardando uma resposta sobre as reivindicações profissionais. Caso não haja nenhum pronunciamento da fundação, será decretada greve por tempo indeterminado a partir de sexta-feira, 4 de abril, em todas as Regionais, Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.
Os servidores da saúde que atuam na Fundação Estadual da Saúde de Sergipe (Funesa) também estão mobilizados para uma possível paralisação. Eles estão esperando uma posição dos gestores da fundação sobre a negociação do Acordo Coletivo para definir o planejamento de uma paralisação de 24 horas que deverá ocorrer no dia 4 de abril, já com indicativo de greve.
UFS – Outra categoria em greve são os servidores da Universidade Federal de Sergipe. O movimento grevista iniciou na última quarta-feira 26. De acordo com a categoria, a greve foi motivada após o Governo Federal descumprir o acordo firmado nas negociações da greve em 2012 envolvendo a garantia de reposição salarial acima da inflação, criação de Grupos de Trabalho (GT’s) paritários para a discussão de democratização das universidades, realização de concursos públicos para contratação de mais servidores, entre outras pautas Na quinta, os servidores fecharam o Centro de Processamento de Dados (CPD). São mais de 1.400 servidores lotados nos campi da universidade em São Cristóvão, Laranjeiras, Itabaiana e Lagarto.
O reitor da UFS, Ângelo Antoniolli, receberá a categoria na próxima quinta-feira, 03 às 14h. Todas as terças e quintas, os servidores farão mobilizações durante o período de greve.
A categoria também é contra a implantação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por entender que a medida representa a privatização do Hospital Universitário.


