Cândida Oliveira
Acaba amanhã, domingo, o prazo que o Ministério Público Estadual de Sergipe deu para que a Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva e a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) façam abastecimento com medicamentos.
Na noite de quinta-feira, dia 27, as duas unidades receberam a visita da promotora dos direitos à Saúde, Euza Missano, do vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe, José Menezes, e de um representante do Conselho Regional de Medicina de Sergipe. Na ocasião, foi constatado que permanece a falta de medicamentos e insumos.
A promotora de justiça observou que na Maternidade, além da falta de medicamentos, também foi constatada a aglomeração de parturientes na Sala de Recuperação Prós-Anestésico (SRPA) aguardando uma vaga para serem encaminhadas às enfermarias. "Apesar de não existir uma superlotação, observamos muitas mulheres aguardando vaga para as enfermarias pelo corredor". Ela salientou que o Ministério Público já tinha ingressado com uma Ação Civil Pública (ACP), por conta destas irregularidades na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes.
Ainda segundo ela, o Ministério Público vai entrar com o pedido da execução da liminar para que a Maternidade seja reabastecida de medicamentos. Após a inspeção na MNSL, a comissão partiu para a Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, onde constatou que os equipamentos já estão em funcionamento, no entanto foi verificado o desabastecimento de medicamentos, principalmente antibióticos e insumos. "Os medicamentos chegaram para o período do carnaval, os problemas estão como antes da interdição", destacou a promotora.
O Ministério Público vai oficializar a Secretaria Municipal de Saúde para que no prazo de 48 horas a UPA seja abastecida, e a Secretaria de Estado da Saúde para que a Maternidade funcione de forma regular. Para fiscalizar o cumprimento das determinações, a comissão realizará nova vistoria na primeira semana do mês de abril.
Visita – A secretária de Estado da Saúde, Joelia Silva Santos, visitou na quinta-feira, 27, a Central de Logística que abastece as unidades gerenciadas pela Fundação Hospitalar de Saúde. Na visita, foi acompanhada pelos diretores da Secretaria de Estado da Saúde, João dos Santos Lima Junior, da Atenção Integral à Saúde, Ary Tolentino, Administrativo-Financeiro, e Evandro Galdino, do Planejamento.
"Diante dos problemas que poderiam comprometer a assistência na rede, montamos um gabinete de crise em janeiro e, de lá pra cá, intensificamos o acompanhamento sobre esse abastecimento, inclusive com o suporte da Secretaria na aquisição de itens que a FHS registre dificuldade no fornecimento", destacou a secretária.
"É preciso entender que a ampliação de serviços, a exemplo de aumento no número de leitos, abertura de salas cirúrgicas e de serviços, como a ortopedia, eleva o quantitativo de insumos e medicamentos. Além disso, apesar dos alertas, continuamos vivenciando os problemas de superlotação na rede hospitalar de casos que não deveriam estar ali e que deveriam ser encaminhados às Unidades Básicas de Saúde e Unidades de Pronto Atendimento. Isso está fora de previsão e fora de planejamento. Para atender esses casos, consumimos o que estava previsto para a rede e esse quantitativo vai acabar antes. É quando as faltas começam a ser registradas", explica Joélia.


