HC retoma cirurgias eletivas após acordo com PMA

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de enfrentar 24 horas de suspensão nas cirurgias eletivas e internamentos de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), o Hospital de Cirurgia, em Aracaju, decidiu voltar a promover os atendimentos a fim de não prejudicar os sergipanos que há meses já se preparavam para o procedimento clínico. A medida foi adotada pela direção da unidade hospitalar após participar de reunião junto à Secretaria Municipal de Saúde (SMS), que desde o mês de junho deste ano deixou de cumprir financeiramente as demandas médicas. Conforme a direção do HC, a dívida atual da Prefeitura de Aracaju junto ao Cirurgia é de R$ 13,5 milhões.

Na tentativa de minimizar o impasse financeiro, Luciano Paz, secretário municipal da saúde, afirmou que parte da dívida seria quitada a partir da tarde de ontem e consequentemente irá respeitar um calendário definido também durante o diálogo. A cada mês o HC possui uma conta de R$ 6 milhões para quitar. Essa demanda corresponde ao gasto com cerca de 30 cirurgias eletivas mensais que são realizadas no hospital. Em termos operacionais, diante da estrutura física, a unidade poderia até ampliar o número desses procedimentos e diminuir a fila de espera, mas o não repasse integral do contrato contribui para que faltem anestesiologistas, medicamentos, materiais de uso clínico e cirúrgico, além de mais médicos e enfermeiros.

De acordo com Gilberto Santos, diretor do hospital, todas as cirurgias que foram suspensas durante a paralisação das atividades já começam a ser remarcadas pelos próprios médicos. Segundo cálculos feitos pela direção hospitalar, este procedimento deve ser concluído em um prazo médio de até uma semana. "A programação de cirurgias que tiveram que ser desmarcadas começa diante da disponibilidade das salas e dos próprios pacientes. Como a paralisação foi de um dia, acreditamos que já na próxima semana toda esta demanda estará devidamente suprida. Esperamos agora que tudo o que ficou firmado na reunião seja de fato respeitado", afirmou.

Em termos gerais, a segunda maior unidade hospitalar do Estado de Sergipe que atende aos pacientes do SUS suspendeu, inclusive, as cirurgias junto àqueles que necessitam de cuidados oncológicos. Conforme detalhado pela direção, as cirurgias eletivas são aquelas que não apresentam nenhum caráter de urgência ou emergência. Sem risco de morte ou sofrimento intenso, ela pode ser remarcada sem problemas, ou seja, procedida nova data a ser escolhida pela equipe. Apesar das garantias apresentadas por Gilberto, muitos pacientes e familiares reclamam do adiamento das cirurgias que, apesar de não serem emergenciais, necessitam também de atenção por parte da equipe médica. Eles temem novas paralisações.

"Eu estava há quatro meses esperando por este atendimento e quando cheguei aqui fiquei sabendo que não seria realizada. Como pode um cidadão que cumpre os deveres do Estado ter que enfrentar esse tipo de situação lamentável justamente na hora em que mais precisa? Certo que a minha cirurgia não é tão grave, se é que podemos falar assim, mas não deixa de ser um procedimento clínico de risco. E se daqui pra lá o sistema parar novamente, como é que eu e alguns outros iremos ficar?", indagou Valmir Oliveira, de 36 anos. Sobre este questionamento do usuário do SUS, a direção do HC não descartou a possibilidade de novamente suspender as cirurgias. Isso pode acontecer caso a Prefeitura de Aracaju não cumpra com o que fora acertado na reunião.
Essa foi a segunda vez que o sistema ficou suspenso por falta de pagamento. A primeira foi registrada no mês de janeiro quando a Prefeitura de Aracaju deixou de realizar o pagamento mensal.

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