Na placa exposta no mês de julho de 2014, em frente ao posto de saúde do povoado Alagamar, em Pirambu, há uma informação indicando que a conclusão da reforma do local estava prevista para acontecer 150 dias após o início das obras. Porém, diferentemente do que foi apontada pela gestão municipal, um ano e quatro meses depois, a sede do posto de saúde continua fechada. Esta é uma realidade enfrentada não somente pelos moradores de Alagamar, mas também de outros povoados do município, a exemplo de Baixa Grande e Santa Izabel.
Com a finalidade de chamar a atenção da população e cobrar os direitos básicos à saúde pública, os moradores dos três povoados em conjunto com o Observatório Social dos Royalties, realizarão uma manifestação na manhã do dia 14 de novembro, cobrando da prefeitura municipal uma resposta e um compromisso para que os postos sejam entregues às comunidades.
A atividade irá ocorrer nos três povoados, iniciando na comunidade de Baixa Grande. O presidente da Associação de Moradores de Alagamar, Magno Fernandes, conta que a reabertura dos postos de saúde é uma demanda necessária dos comunitários. "Temos que fazer alguma coisa, porque um posto fechado há mais de um ano não pode acontecer. Vamos mostrar a população que do jeito que está não dá mais", afirma.
Ele ainda coloca que a prefeitura alugou uma casa para servir de posto para atender os moradores de Alagamar e de Santa Izabel. "A casa não é adequada para funcionar um posto de saúde para as duas comunidades. Precisamos de uma resposta sobre a conclusão da obra", ratifica.
Esta queixa é a mesma de Ronalda dos Santos, do povoado Baixa Grande, onde a prefeitura também locou uma casa. De acordo com ela, o funcionamento do posto improvisado acarreta problemas para a comunidade e também para os profissionais da saúde. "Certa vez, uma médica reclamou da falta de estrutura, afirmando que não consegue trabalhar direito. Isso afeta também o nosso atendimento. Uma casa não é um posto", diz.
"Eles só colocaram aquela placa na frente e não comunicaram mais nada para nós, não deram nenhuma explicação. É importante dizer também que o posto só funciona na quarta-feira. Se acontecer alguma emergência nós temos que solicitar uma ambulância, que nos leva para ser atendidos na sede de Pirambu", finaliza.
Apesar destes problemas se arrastarem por mais de um ano, Pirambu é um dos municípios que mais recebem Royalties do Petróleo em Sergipe – atingindo em determinados períodos, mais de 50 % da receita do município. No entanto, os indicadores contradizem as riquezas geradas, o que vem causando indignação nos moradores.
Participação social – O Projeto Observatório Social dos Royalties vem sendo desenvolvido no município de Pirambu desde meados de 2014 e faz parte das ações do Programa de Educação Ambiental com Comunidades Costeiras (PEAC) em atendimento às exigências do Licenciamento Ambiental dadas pelo Ibama a Petrobras.
Ele tem como objetivos: contribuir para ampliar o conhecimento da população sobre a distribuição e aplicação dos recursos dos Royalties, discutir publicamente a necessidade do controle social sobre o uso e aplicação desses recursos e estimular a participação social dos moradores.


