Homem é assassinado por reclamar do barulho de som

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Uma discussão por causa do som alto de um carro acabou em tragédia no povoado Cruz das Graças, em Nossa Senhora Aparecida (Agreste). O aposentado Antônio dos Santos, 79 anos, o "Tota de Percílio", foi assassinado com um tiro de escopeta dentro da própria casa por volta das 13h45 de ontem. Segundo a polícia, o crime foi cometido por três irmãos que são frequentadores do bar e já foram identificados pela polícia. Dois dos suspeitos tiveram seus nomes divulgados: José Gileno de Oliveira e José Rinaldo de Oliveira. O terceiro, apesar de não ter seu nome confirmado, é apontado como o autor do tiro que matou o idoso.

Segundo parentes e testemunhas, a discussão se deu por causa do som alto do carro de propriedade de um dos acusados, o qual tinha o costume de ouvir música em um volume muito alto e fazer arruaças na rua. Uma pessoa que pediu para não ser identificada disse ao JORNAL DO DIA que eram muitas as reclamações de vizinhos acerca do barulho produzido pelos irmãos quando frequentavam o bar e que a situação já durava alguns meses.

No dia do crime, por volta das 10h, "Tota" perdeu a paciência e foi reclamar com o filho adolescente de um dos acusados, pedindo que o som fosse abaixado. De acordo com outras pessoas que estavam no bar, os responsáveis pelo carro se recusaram a abaixar e até aumentaram ainda mais o volume. O relato é de que um dos acusados teria dito a Antônio: "Oxente! Eu gastei quase 20 mil reais nesse som e agora vem qualquer um me pedir pra abaixar o volume? Vou abaixar não! (sic)". Mais irritado, o aposentado foi até a tomada do bar para tentar desligar o som, mas o adolescente impediu, dando-lhe um empurrão. Os outros frequentadores temeram por uma briga e apartaram os dois, levando o idoso para casa.

O som acabou desligado minutos depois, mas, de acordo com as testemunhas, um dos acusados ficou exaltado e teria gritado: "Eu vou lá em casa pra pegar um som maior ainda e quero ver quem é que me manda abaixar!". Conforme a fonte ouvida pelo JORNAL DO DIA, este "som maior" seria, na verdade, as armas usadas no crime: dois revólveres e uma escopeta calibre 12 de fabricação caseira. Depois, os responsáveis pelo carro foram embora, mas voltaram de carro e pararam em frente à casa de Antônio.

O idoso tinha almoçado com a esposa e estava descansando em uma cadeira na varanda, quando foi chamado pelos três homens. Ao sair para ver quem era, no entanto, ele foi surpreendido pelo primeiro tiro de escopeta, disparado da rua por um dos acusados, e conseguiu escapar para dentro da casa. Dois dos suspeitos então pularam o portão da residência e invadiram-na para tentar matá-lo, enquanto o terceiro ficou dando cobertura. Os agressores reviraram toda a casa e quebraram a porta de um quarto onde "Tota" e a esposa tentavam se esconder.

A cena que se seguiu foi mais chocante: a mulher colocou-se à frente do aposentado e chegou a lutar com um dos invasores, implorando para que o marido não fosse morto, mas o segundo invasor tomou a escopeta do irmão, apontou a arma para Antônio e disparou o segundo tiro, acertando-o no pescoço. O idoso morreu poucos instantes depois, enquanto os criminosos fugiam. Toda a vizinhança ficou alarmada com a notícia, a ponto de alguns amigos e parentes saírem em motos e carros pelo povoado, atrás dos atiradores.

O crime é investigado pelo delegado Renato Santana de Oliveira, de Nossa Senhora Aparecida, cuja equipe já iniciou buscas em toda a região Agreste para prender os três acusados. Segundo ele, todos são moradores do povoado e fugiram da cidade logo após o crime. As buscas são reforçadas por policiais de delegacias das cidades vizinhas.

A comunidade do povoado e de outras cidades da região compareceu ontem ao velório de Antônio, demonstrando choque, horror e muita revolta com a covardia praticada contra ele. O aposentado foi um dos primeiros moradores do povoado e era filho do primeiro prefeito de Aparecida, Manoel Perciliano dos Santos, além de primo da desembargadora Maria Aparecida Gama, presidente do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/SE). O enterro aconteceu ao final da tarde, no cemitério da cidade.

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