Gabriel Damásio
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Um crime passional surpreendeu e chocou a centenas de estudantes, professores e funcionários da Universidade Federal de Sergipe (UFS). Por volta das 10h30 de ontem, dentro da Cidade Universitária José Aloísio de Campos, no Rosa Elze, em São Cristóvão (Grande Aracaju), o ex-presidiário Cleiton de Souza Ramos, 33 anos, assassinou sua ex-companheira Danielle Bispo Santos, 27 anos. Ela era ajudante de cozinha da Boa Mesa Alimentação, empresa terceirizada que abastece o Restaurante Universitário (Resun), e trabalhava no preparo das refeições que seriam servidas ontem, quando foi atacada e morta com 11 facadas. Cleiton ainda tentou o suicídio depois de cometer o crime, mas foi agredido e dominado por pedreiros que trabalhavam na reforma do Resun e um segurança da UFS.
O acusado ficou isolado em uma sala até a chegada de soldados da Polícia Militar, porque muitos estudantes, revoltados com o acontecimento, ameaçaram linchá-lo. Danielle, por sua vez, foi socorrida por colegas e por um professor do Departamento de Medicina. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou a ser acionado, mas a vítima, ferida no pescoço, no peito, na barriga e nas costas, morreu antes da chegada da ambulância. O crime causou um grande tumulto no campus e o prédio foi cercado por curiosos até o fim da perícia, que durou cerca de duas horas e foi feita por equipes da Polícia Federal, do Instituto de Criminalística e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil.
Ao final, foi constatado que o crime teve motivação passional, porque, segundo parentes, o ex-presidiário não se conformava com o fim do relacionamento e vinha perseguindo Danielle desde que ela saiu de sua casa, há três meses. A polícia também encontrou, em meio aos objetos da vítima, um boletim de ocorrência prestado há poucos dias contra o ex-companheiro, no qual ela denunciou as ameaças. Um dos irmãos de Danielle confirmou que uma audiência chegou a ser marcada na Justiça, mas ela ainda procurava duas testemunhas que depusessem a favor dela.
"Ele ficou com raiva, porque queria que ela ficasse pagando as coisas dele. E ficava ameaçando, mandando mensagem no celular, dizendo que queria matar ela. Hoje ela nem queria vir trabalhar, de tanto medo dele aparecer e fazer alguma coisa. Parecia que ela estava adivinhando", lamentou a mãe da vítima, Gerusa Oliveira, em estado de choque. Cleiton, por sua vez, pouco falou ao ser preso, mas alegou que teria sido traído e que a família dela trabalhava contra o relacionamento. O acusado já foi preso em 4 de julho de 2012, após tentar assaltar a uma casa lotérica no centro de Maruim (Vale do Cotinguiba), mas, segundo informações, teria sido libertado com o apoio da namorada.
O crime – Era o horário de intervalo entre as aulas da manhã nos principais cursos e muitos estudantes já aguardavam a abertura do Resun para o almoço, o que acontece às 10h40. Naquele momento, Danielle no balcão, limpando e abastecendo uma máquina de sucos. Segundo a polícia, o ex-presidiário entrou despercebido no campus, em meio à intensa movimentação, e foi direto ao local, misturando-se aos estudantes. Tudo se deu muito rápido, assim que os dois se olharam. A ajudante começou a gritar e correu para a cozinha, enquanto o ex-companheiro entrou na cozinha e acuou a vítima para baixo da pia. Foi quando Cleiton se armou com uma faca e passou a atingi-la várias vezes, sem qualquer chance de defesa.
A gritaria chamou a atenção dos pedreiros e do segurança, que entraram para dominar o assassino. Ele começou a se cortar e tentou escapar do cerco, mas levou uma paulada na cabeça, foi desarmado e teve as mãos amarradas. A movimentação alarmou os estudantes e os familiares da vítima, que chegaram ao Resun em poucos minutos. Por volta das 13h, viaturas da PM e do Instituto Médico-Legal (IML), se posicionaram na parte traseira do prédio para a retirada do corpo da ajudante. Cleiton foi levado preso em uma caminhonete da PM, enquanto centenas de estudantes lhe dirigiam vaias, palavrões e gritos de "assassino" e "Uh, vai morrer!".
A princípio, o assassinato seria investigado pela PF, mas, no meio da tarde, foi repassado para o DHPP, por se tratar de um crime passional cuja vítima não é servidora pública federal. Em nota, a UFS se disse "consternada" com o crime e informou que suspendeu as atividades do Resun para que os colegas de trabalho acompanhem os funerais de Danielle. A unidade só voltará a funcionar amanhã. As aulas, no entanto, foram mantidas normalmente. "Neste momento, a Universidade Federal de Sergipe se solidariza com os familiares e amigos da vítima e expressa seu profundo repúdio a este ato extremo de violência, que atinge a todos como seres humanos e comunidade acadêmica", afirma uma nota oficial divulgada pela Reitoria.


