Hospital não convence sobre morte de jovem

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Renata dos Anjos completaria 26 anos ontem, quarta-feira, se estivesse viva. Ela foi morta na segunda-feira, 11, após um processo operatório para retirada de gordura localizada no abdômen, a lipoescultura.

O Hospital São Lucas, localizado na zona sul de Aracaju, local onde ela iniciou o procedimento cirúrgico, declarou por meio de nota que não houve irregularidades no processo pré-operatório, bem como durante o procedimento anestésico e cirúrgico da jovem.

A avaliação dos procedimentos foi realizada por uma comissão formada por médicos do hospital, designada pela direção para apurar o caso. Segundo a nota, a paciente apresentou um quadro de falência súbita da função respiratória, evoluindo para parada cardíaca irreversível, não respondendo aos procedimentos básicos e avançados de reanimação, levando a suspeita diagnóstica de embolia gordurosa, que segundo a comissão é uma complicação rara, mas prevista em cirurgias desta natureza. Ainda segundo a nota, o Hospital São Lucas não foi autorizado pela equipe médica ou pelos familiares da paciente a fornecer mais detalhes sobre o ocorrido. A cirurgia foi realizada pela médica Daniele Barreto.

Morte – A jovem morreu na tarde desta segunda-feira, dia 11. O procedimento foi realizado pela manhã e a paciente passou mal por volta do meio-dia, sofrendo uma parada cardiorrespiratória. O sepultamento aconteceu na terça-feira, no Cemitério Santíssima Trindade, em Capela.

Parentes de Renata contam que o procedimento cirúrgico iniciou pela manhã e que meio-dia ela sofreu uma parada respiratória. A família soube da morte por meio do hospital às 13h30. Segundo o tio da vítima, Humberto Moura, a jovem realizou todos os exames pré-operatórios requeridos pela médica responsável e que este era um dos sonhos dela. "Era uma coisa muito almejada por ela e todos os exames foram realizados. A lipoescultura seria realizada na próxima semana, mas a médica resolveu antecipar e ela se internou entre 6h e 7h da manhã da última segunda", relembrou.

Ele também contou que como a família reside em Capela, a 67 km da capital, o esposo da dona de casa resolveu viajar com ela para acompanhar o internamento. Como foi informado de que o procedimento demoraria cerca de 2h, ele foi para a casa de parentes na capital sergipana, para então retornar ao hospital no início da tarde.

"Tudo estava bem até que ele recebeu um telefonema do hospital por volta das 12h, informando que minha sobrinha tinha passado mal. Ele foi imediatamente para o local, mas inicialmente não conseguiu informações sobre o que havia ocorrido. Somente às 13h30 a médica informou que ela havia sofrido uma parada cardiorrespiratória e falecido", relatou Humberto.

Na manhã de terça-feira, 12, o marido da vítima, Paulo César, esteve no Instituto Médico Legal (IML) para tratar da liberação do corpo. Ele disse que a esposa realizou a cirurgia por motivos estéticos e não por motivos de saúde. "Como toda mulher vaidosa, ela queria retornar ao peso que tinha antes da gravidez, pois havia engordado após ter nossa filha", disse.

Em busca de explicações sobre a morte da esposa, ele informou que quer uma análise mais criteriosa. "Vamos conversar com o médico para saber mais detalhes do que ocasionou a morte da minha esposa. Quero uma análise criteriosa no laudo, já que no hospital não nos informaram claramente o que teria provocado a parada cardíaca. A médica responsável pela cirurgia mal falou com a gente", reclamou.

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