Gabriel Damásio
Uma tragédia chocou os moradores do Condomínio Jardim América, na Avenida Adélia Franco, Distrito Industrial (zona sul). O aposentado José Nunes da Silveira, 94 anos, morreu ao cair no fosso do elevador do prédio onde morava com os filhos. Por volta das 9h, ele saiu para caminhar, como fazia todos os dias, e abriu a porta para pegar o elevador, mas não percebeu que o elevador não estava postado no terceiro andar do edifício. O idoso só foi encontrado no fosso por volta das 12h, depois que familiares deram por falta dele. O elevador estava parado no quarto andar e passava por uma manutenção.
Os filhos e netos do aposentado denunciam que a porta do elevador do terceiro andar não estava travada e nem foi isolada com faixas ou avisos que geralmente são colocados pela empresa responsável pela manutenção do equipamento. "O meu pai, coitado, sempre desceu de elevador pra ir passear na praça, normalmente. Justamente nesse dia, quando a empresa estava fazendo a manutenção, ele abriu a porta que deveria estar lacrada, achou que ali tinha o piso, e ‘bum!’. Caiu do terceiro andar e morreu. Não tinha faixas nas portas dos elevadores quando estavam fazendo a manutenção, nem estavam travadas as portas", lamentou o filho Edilson Alves da Silveira.
Uma faxineira que trabalhava no prédio ouviu um forte barulho de queda e avisou aos funcionários da empresa de manutenção que alguém ou alguma coisa teria caído no fosso do elevador. A princípio, os técnicos negaram a presença de alguma pessoa no fosso, o que pode ter sido percebido por causa da escuridão do compartimento. No entanto, a faxineira voltou a alertar sobre a queda depois de saber que José Nunes estava sendo procurado pelos filhos e pelos vizinhos. A tensão aumentou e as equipes do Corpo de Bombeiros e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados.
O idoso chegou a ser atendido com sinais de vida, mas morreu antes de ser encaminhado ao hospital. A tensão entre os moradores do condomínio deu lugar ao desespero e à revolta. Todos apontaram que houve negligência por parte da empresa responsável. Mesmo abalados, eles prometem processar a empresa. "Nós temos três sobrinhos advogados. Eles vão acionar tanto a empresa da manutenção quanto o condomínio. Quem vai decidir agora é a justiça. E tenho certeza de que a vida de meu pai não vai voltar nunca mais, mas vamos procurar saber o que aconteceu e de quem é a culpa", disse Edilson, amparado pelos filhos.
Nunes era bastante querido pelos amigos e pelos vizinhos, que o conheciam como ‘Vovôzinho’ e fizeram uma recente festa de aniversário em sua homenagem. De acordo com os filhos, também não apresentava problemas de saúde e era conhecido pela sua vitalidade e alegria.
O corpo do idoso foi retirado pelo Instituto Médico Legal (IML) e, em seguida, peritos do Instituto de Criminalística coletaram vestígios e fizeram uma análise detalhada do elevador, a fim de identificar o mecanismo de funcionamento dele e se houve alguma falha técnica no aparelho ou alguma negligência que pode ter contribuído para o acidente. Segundo o perito Charles Carvalho, da Criminalística, o laudo técnico deve ficar pronto em até 30 dias e será entregue a Polícia Civil, que deve abrir inquérito para investigar o episódio. O caso deve ser encaminhado para a 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM), no Leite Neto.
O Condomínio Jardim América informou que deu assistência à família do idoso e também está apurando as causas da tragédia. De acordo com a síndica do condomínio, Maria do Carmo Borges, a empresa responsável fazia uma manutenção preventiva periódica em todos os blocos do condomínio, mas foi informada de que o equipamento do Bloco M apresentou uma falha de funcionamento, o que quebrou uma sequência pré-definida de verificação dos elevadores. A síndica disse que acreditar que a morte do idoso foi um acidente, mas não tem certeza se houve algum tipo de falha ou negligência. A empresa de manutenção informou que só vai se pronunciar sobre o caso após uma avaliação técnica do ocorrido.


