Milton Alves Júnior
O Ministério da Justiça e Segurança Pública, por intermédio da Superintendência Regional da Polícia Federal, está investigando uma possível ação criminosa especializada em gerar danos contra sergipanos que aplicam investimentos em criptomoedas. Com base em denúncias anônimas apresentadas por investidores da região do município de Simão Dias, pelo menos 160 pessoas teriam entrado no sistema por indicação. No aplicativo, os investidores faziam o depósito, convertiam o dinheiro em ativos digitais e contavam com a promessa de lucros altos. Ainda de acordo com as denúncias, os valores investidos variam de R$ 10 mil a R$ 500 mil.
O prejuízo total está sendo apurado, mas, segundo o grupo, pode passar de R$ 2,5 milhões. Em comunicado oficial a Polícia Federal, disse que a suspeita de fraude começou quando os saques foram bloqueados. Em uma mensagem recebida pelos clientes, a plataforma orientou que os usuários fizessem um depósito equivalente a 25% do total de ativos da conta para concluir uma “ativação”. O aviso da empresa, identificada como RBH Infinity, dizia que as contas que não fossem ativadas dentro do prazo poderiam ser congeladas ou bloqueadas. O processo de investigação desenvolvido pela Polícia Federal em Sergipe se assemelha com o trabalho da Polícia Civil de São Paulo (PCSP).
Por intermédio da Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC/SECCOLD) de Piracicaba (SP), em março deste ano foram cumpridos mandados de busca e apreensão contra suspeitos de operar um esquema de pirâmide financeira com criptomoedas chamado Nextcapital em Indaiatuba, no interior paulista. A ação foi batizada de Operação Mago Simão. Segundo as investigações, o principal alvo se apresentava como especialista no mercado financeiro, professor e instrutor de day trade para captar investidores por meio da empresa Nextcapital. Ele prometia rendimentos de até 10% ao mês, percentual considerado incompatível com o mercado financeiro.
Por meio do esquema, os investigados deixaram prejuízos de ao menos R$ 420 mil a 14 vítimas, embora o investigado tenha admitido uma dívida de cerca de R$ 510 mil com 42 clientes. Diante da continuidade das investigações, a Polícia Federal orienta as pessoas a apresentarem denúncias caso possuam informações capazes de colaborar com os estudos. De forma sigilosa, estes conteúdos podem ser protocolados junto ao Disque Denúncias (181). Na plataforma da PF, além do Comunica PF, também é possível fazer comunicações de crimes pessoalmente às Superintendências, às Delegacias ou à Corregedoria-Geral da PF, utilizando os contatos disponibilizados no seguinte caminho dentro da internet da Polícia Federal: “Canais de Atendimento -> Unidades -> Superintendências e Delegacias”.


