Iran diz que a Prefeitura de Aracaju se transformou numa grande imobiliária

"É lamentável assistir ao que estamos assistindo, com o aval de parte dos parlamentares da Câmara Municipal: a Prefeitura de Aracaju se transformando numa grande imobiliária, que usa o patrimônio público para fazer venda de terrenos públicos". A crítica foi feita ontem pelo vereador Iran Barbosa, em pronunciamento na Câmara Municipal de Aracaju. O petista trouxe para a tribuna as queixas e argumentos de movimentos sociais que se organizam para questionar a venda de terrenos do município localizados no bairro Coroa do Meio. O projeto do Executivo autorizando a venda foi aprovado pela maioria governista, no legislativo da Capital, no último dia 12/9.

Iran Barbosa participou, como convidado, da plenária do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (MOTU), realizada na terça-feira (15), no auditório do Sindicato dos Bancários do Sergipe, onde se discutiu a venda de lotes municipais na Coroa do Meio. "Os trabalhadores do MOTU questionaram a venda desses lotes frente à necessidade de uma política de habitação para o município de Aracaju. Questionaram a prefeitura se desfazer daqueles terrenos diante de uma demanda reprimida que existe na nossa cidade para a garantia de moradia popular", relatou o parlamentar.

Iran lembrou que, quando o projeto autorizativo para venda de lotes de terrenos públicos na Coroa do Meio chegou para votação na CMA, chamou a atenção para o fato de que aquele bairro é carente de um conjunto de equipamentos públicos, como creche, praças, posto de saúde, áreas de lazer e desportos, assim como não tem escolas públicas suficientes, nem equipamentos culturais, como bibliotecas.
"E a prefeitura tem na Coroa do Meio áreas razoáveis, em termos de tamanho, bem localizadas, e as vende. O povo agora começa a perguntar por que o prefeito pediu autorização à Câmara para vender aqueles terrenos se eles podem servir a um conjunto de outras coisas que são prioritárias para o bairro e para a cidade", colocou.

O vereador destacou, ainda, que se forem verificar qual o clamor maior das pessoas, relativamente a viver numa grande cidade, é por serviços próximos de onde elas moram. Segundo o petista, de nada adianta continuar a debater mobilidade urbana se a concepção de ocupação dos espaços da cidade acontecer de forma equivocada; ou seja, num modelo onde os aglomerados urbanos não contem com disponibilidade dos variados serviços que a população precisa, gerando a necessidade de deslocamentos. "Isso não sou eu quem diz, mas os urbanistas", defendeu.
"É fácil observar que a Coroa do Meio é um exemplo de bairro que precisa de equipamentos públicos para garantir o atendimento à população; no entanto, a prefeitura municipal de Aracaju tem terrenos naquela área e optou por vendê-los, como se fosse uma imobiliária", reforçou.

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