Jackson apresenta planos já iniciados por Déda

O tema da segurança pública aparece de forma mais densa no plano de governo entregue por Jackson Barreto (PMDB) ao TSE, mas não traz ideias novas. São basicamente a continuidade de iniciativas criadas na gestão de Marcelo Déda (1960-2013). Além da contratação de mais policiais por meio dos concursos que já foram realizados na PM e na Cogerp, mais a realização do concurso da Polícia Civil, o candidato à reeleição cita medidas que já estão planejadas no programa Brasil Mais Seguro, do Ministério da Justiça. O governo Déda-Jackson aderiu ao programa em junho de 2013 e obteve a promessa de R$ 57 milhões em investimentos federais no setor.

Entre as propostas, está a digitalização do sistema de comunicação por rádio de todas as forças de segurança ligadas à SSP, "com cobertura 100% digital em todo Estado, permitindo a integração de polícias, SAMU, Corpo de Bombeiros, em tempo real e com total segurança". O projeto já está pronto e aguarda a liberação de recursos federais, estimados em R$ 27 milhões. O projeto Brasil Mais Seguro prevê ainda a "Criação do Laboratório de Tecnologia Contra a Corrupção e Lavagem de Dinheiro", a "Ampliação do Sistema de Inteligência", a "Integração dos bancos de dados de identificação, civil, criminal, de saúde e educação, em nível nacional", e a "Continuação do programa de redução à homicídios, recentemente implantado, através do Sergipe Mais Seguro", citados desta forma pela proposta de Jackson ao TSE.

O programa governista também promete "incentivar a criação e o aperfeiçoamento de guardas municipais, com enfoque para a interação com as comunidades e parceria com as polícias". Isto já começou a ser feito por meio de convênios da SSP com algumas prefeituras do interior, através do qual as guardas municipais ficariam integradas aos Centros Integrados de Segurança Pública (Cisps) criados para integrar as unidades locais da PM e da Civil. Cerca de 30 Cisps já foram construídos no interior e na capital, mas a eficácia do modelo já começa a ser questionada por entidades de classe das duas polícias.

Em um documentário divulgado recentemente no YouTube – e usado na campanha de Eduardo Amorim -, a Associação dos Delegados de Polícia de Sergipe (Adepol) afirma que a gestão atual da SSP construiu centros integrados em cidades com baixos índices de criminalidade, como Canhoba, Telha e Amparo do São Francisco, mas deixou de lado cidades maiores e mais problemáticas, como Estância, Propriá e Lagarto,  as quais somaram 234 homicídios em um período de três anos. Já as associações de militares reclamam do baixo número de policiais nas companhias e da falta de estrutura física. O plano de Jackson promete criar mais Cisps no interior, apesar de não falar em melhorias para os problemas apontados.

A proposta do candidato do PMDB ainda fala em estender grupamentos especializados da Polícia Militar nas cidades do interior, como o de Ações Táticas do Interior (Gati), o Tático Aéreo (GTA) e o Especial Tático de Ações com Motos (Getam). A implantação do instituto de Análise e Pesquisa Forense (IAPF), a transformação do Pelotão de Caatinga em Companhia e o aumento do número de delegacias plantonistas, inclusive na capital, constam ainda no documento entregue ao TSE.

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