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Jesus da Coca-Cola


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Publicado em 06 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Antonio Passos

Chega a ser impressionante que a gigante mundial dos refrigerantes nunca tenha conseguido fazer um guaraná que preste. Mirando o nosso Antarctica tudo que a Coca-Cola fez são dissabores.
Não faz muito tempo a transnacional deu mais uma cartada: incorporou uma tradicional marca de refrigerante à base de guaraná, originária do Maranhão.
Agora, até nos supermercados de Aracaju as simpáticas latinhas pintadas em branco, azul e rosa, do Guaraná Jesus, podem ser encontradas. Discretamente, está também impressa a marca Coca-Cola.
Em um país como o Brasil, com tão arraigada presença do cristianismo, o nome Jesus, por si só, acaba atribuindo algo de beatífico ao produto.
Contudo, na hora de beber, não acontece nenhuma transformação da água em vinho. Nem de longe o líquido processado se parece com um autêntico refrigerante de guaraná.
Dia desses, certamente influenciado pela presença do nome Jesus, levei um punhado dessas latinhas como contribuição para uma confraternização. A reprovação foi geral.
Como abandonei os refrigerantes não pude eu mesmo fazer a prova. Um amigo porém lançou um desafio dizendo: – Ao menos cheire isso aqui.
Respirei fundo puxando o ar de dentro da latinha e não deu outra: o cheiro nem com reza forte lembra o guaraná. É puro chiclete tutti-frutti.
Depois fique matutando. Com tantos recursos, tanto dinheiro, tanta tecnologia e experiência no mercado, por que a Coca-Cola não fabrica um guaraná decente?
Será que o novo insucesso é um sinal dos céus? Um recado sutil demonstrando que é um equívoco considerar harmônicos entre si a ética da mensagem do Cristo e o espírito capitalista?
Bom! Isso é teologia e sociologia demais para o meu caminhãozinho. De minha parte prefiro continuar associando o nome de Jesus ao bom vinho servido nas Bodas de Caná.

* Antonio Passos é jornalista

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