João Alves não paga e empresa volta a suspender coleta de lixo

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Pela terceira vez em menos de oito meses os servidores da empresa Torre, responsável pelo recolhimento do lixo doméstico em Aracaju, decidiram cruzar os braços por tempo indeterminado. Essa medida foi confirmada pela direção do Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública (Sindilimp), após a categoria ter se deparado com a não quitação de débitos que deveriam ser pagos pela Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb). Sem limpeza de rua, novamente a capital sergipana se transformou em um canteiro de acúmulo de lixo e gera problemas de saúde para milhares de moradores que não possuem outra alternativa a não ser armazenar esses resíduos domiciliares nas portas de casa. Depois de mais este impasse, na tarde de ontem o presidente da Emsurb, Edson Leal, decidiu entregar o cargo.

Em bairros da zona Norte, principal região prejudicada nas primeiras horas da greve, vários moradores ao se deparar com o não recolhimento do lixo começaram a arremessar as sacolas plásticas em terrenos baldios, ou em prédios abandonados. Esta atitude, além de provocar desconforto higiênico em vias públicas, contribui para a proliferação de ratos, baratas, cobras e escorpiões que acabam invadindo a casa dos próprios populares e geram transtornos. A última paralisação feita pela classe trabalhadora foi registada há pouco mais de um mês devido a uma dívida milionária orçada em 20 milhões que deveria ser paga pela prefeitura junto à Torre. Na ocasião os trabalhadores cruzaram os braços por três dias, o suficiente para juntar toneladas de lixo por todos os bairros.

Para Rayvanderson Fernandes, presidente do Sindilimp, os compromissos financeiros firmados entre governo municipal, Torre e funcionários devem ser respeitados a fim de evitar a repetição das paralisações por justa causa. O sindicalista entende que a categoria vem se mostrando impaciente com o acúmulo de problemas gerais ocasionados pela atual administração do prefeito João Alves Filho e por isso deflagram greves por tempo indeterminado, mesmo sem o conhecimento do próprio sistema sindical. "É tanta insatisfação que os trabalhadores não estão aguentando tanta promessa e nenhuma solução. Dia 15 do mês passado nós paramos; agora, ontem dia 24, paramos novamente. Esperamos que nossa postura não resulte em perseguições", disse.

Na tentativa de buscar solução para o mais novo impasse, a direção sindical garantiu que está procurando a Emsurb e Secretaria Municipal de Finanças. A expectativa é que até a próxima segunda-feira, 27, todo o serviço esteja reiniciado, caso isso não aconteça, o cidadão aracajuano terá que redobrar a paciência para mais um período de transtornos. Esta já foi a quarta paralisação da categoria desde o retorno de João Alves para o comando da Prefeitura de Aracaju. "Nós como representantes do sindicato temos que atuar sempre em prol dos interesses do trabalhador e da ética profissional. Não podemos aceitar que retrocessos e nem perseguições aconteçam contra aqueles que aderiram ao movimento. O diálogo é complicado, mas esperamos ter boas notícias ainda nesse final de semana", pontuou Rayvanderson.

Prefeitura – Atenta à mobilização dos funcionários da Torre, já nas primeiras horas de ontem a Assessoria de Comunicação da Emsurb informou que: "Por questões burocráticas, a Prefeitura Municipal de Aracaju não conseguiu obedecer o prazo de pagamento para empresa Torre, responsável em executar o serviço de coleta de lixo na capital e por isso houve a suspensão do serviço nesta sexta-feira,24", informou a nota oficial. Quanto aos transtornos já causados a população, a empresa garantiu que ações emergenciais estão sendo adotadas com o propósito de minimizar a ausência da coleta regular de lixo. "Todas as medidas já estão sendo tomadas para que o serviço seja regularizado afetando assim, o mínimo possível a população. A Emsurb acredita que até a próxima segunda-feira,27, a situação esteja totalmente regularizada".

Como já era esperado, inclusive pelos gestores municipais, os moradores criticaram a repetição desta situação e pediram mais coerência nas demandas públicas. Moradora do bairro Santos Dumont, a microempresária Elisangela Nunes Silva questiona o porquê desta sequência de impasses com os garis e margaridas. "Não entendo como a gente volta a ser prejudicada por um problema que nunca aconteceu tantas vezes em poucos meses. Será que em agosto terá outra paralisação? Junho teve, julho também, e agosto? A prefeitura não honra os compromissos, os trabalhadores param por estarem insatisfeitos e a gente é quem paga o pato. Enquanto isso João vai para o rádio falar de reeleição em 2016", declarou.

A Ascom da Emsurb informou que na noite de ontem, paralelo ao serviço de Cata Bagulho que foi realizado nos bairros Jardins e Inácio Barbosa, equipes de limpeza foram deslocadas para os bairros Centro, Getúlio Vargas e Siqueira Campos para recolher os lixos que já se acumulavam em vasta quantidade. Por dia, estes trabalhadores são responsáveis por recolher em média 540 toneladas de resíduos em toda a cidade. Quanto ao substituto do ex-presidente, Edson Leal, a prefeitura preferiu não se manifestar no momento.

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