JOÃO DANIEL FAZ BALANÇO DE ATUAÇÃO NA ASSEMBLEIA

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Em entrevista ao JORNAL DO DIA, o deputado estadual João Daniel (PT), faz um balanço da sua atuação parlamentar no seu primeiro mandato. Ele diz que a oposição errou ao rejeitar o Proinveste e defende o nome do vice-governador Jackson Barreto (PMDB) para o governo do Estado nas eleições de 2014 em substituição ao governador Marcelo Déda (PT).

"Na minha compreensão, o nome natural, o nome comprometido, o nome que tem a história das oposições no Estado de Sergipe, que encarna esse projeto liderado por Marcelo Déda e por todos os partidos é o vice-governador Jackson Barreto".

Jornal do Dia – Como o senhor avalia o ano de 2012 na Assembleia Legislativa?
João Daniel – Eu avalio o ano de 2012 como um ano em que tivemos uma certa dificuldade na Assembleia Legislativa para o grupo que está ligado ao governo do estado, especialmente nós do Partido dos Trabalhadores. Nós tivemos duas derrotas que são significativas, não foi uma coisa fácil, que foi a questão da eleição da Mesa da Assembleia sem a consulta do partido que é o PT, que tem quatro parlamentares, dentro de uma eleição antecipada que elegeu a Mesa Diretora da Casa para o biênio 2013/2014, com um ano de antecedência.
Segundo foi o grave problema que foi a não aprovação do Proinveste. O estado de Sergipe terá consequências muito graves para o futuro caso não seja aprovado esse projeto. São consequências para os próximos 20 anos, e isso vai refletir na economia, na questão social, na educação, na saúde, é uma situação muito grave e espero que, em uma nova reapresentação, o governo do Estado consiga aprovar. Acho que nesse sentido foi ruim.

JD – E quanto ao mandato do senhor em 2012?
João Daniel – Enquanto mandato, participamos ativamente das eleições no estado, conseguimos várias vitórias importantes de um grupo bom de vereadores, de prefeitos comprometidos com a luta do MST, dos trabalhadores no campo e vamos dar sequência ao nosso mandato.

JD – E com relação a projetos de sua autoria?
João Daniel – Tivemos alguns projetos importantes aprovados, como também dois projetos que considero importantíssimos que estão em tramitação na Casa e não foram colocados em votação, a exemplo do Projeto que cria o Plano Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural. E essa legislação sendo aprovada possibilitará o governo do Estado junto com o governo federal ampliar a assistência técnica no estado de Sergipe, seja através de contratação seja através de concurso. Um outro projeto importantíssimo e que já foi aprovado em vários estados, é o que vai criar o Conselho para legalizar pequenos empreendimentos agropecuários, na área de queijaria, na área de pequenas indústrias de mel, de frutas, o que chamamos de Sistema Unificado de Fiscalização Sanitária para Empreendimentos de Agroindústrias da Agricultura Familiar para estado, mas lamentavelmente não foi colocado em votação um projeto importante para ao estado, e esperamos que no início da próxima gestão possa ser colocado em votação.

JD – Há quem diga que houve por parte do governo do estado uma precipitação com o grupo liderado pelos irmãos Amorim, o que fez o governo perder a maioria na AL. O senhor acha que houve essa precipitação por parte do governo?
João Daniel – Eu acho que houve uma questão concreta que foi a eleição antecipada da Mesa sem participação dos três principais partidos que compõem a base aliada do governo Marcelo Déda (PT), sem a participação do PT, PSD e PMDB. Então, na verdade, quem rompeu foram os partidos liderados pelo PSC na AL que isolaram o governo e os partidos aliados. Então, a reação do governador foi a reação de quem não foi chamado para compor aquele momento importante que é o Poder Legislativo, o governo representado pelos seus partidos da base aliada. Até então o PSC era também da base aliada e todos sabem que os partidos mais próximos do governador eram o PT, o PSD e o PMDB, e esses três partidos não foram consultados e não foram chamados, então, na verdade quem deu início a essa situação, foi a liderança do senador Eduardo Amorim.

JD – O governo tem buscado aprovar alguns projetos importantes, mas tem sofrido derrotas constantes na AL. O que fazer para construir essa maioria e ter a aprovação desses projetos importantes para o governo e para o estado?
João Daniel – Eu acredito que cabe ao governo analisar e chamar para discutir. A composição da maioria depende de alguns membros da oposição topar discutir os projetos. Hoje vejo muito consolidado o grupo da oposição, porque houve um grande problema na Casa, que foi a antecipação das eleições de 2014. Então, com essa antecipação não se trabalha mais na viabilidade de projetos para 2012, 2013, 2014, se trabalha apenas com o projeto politico para 2014, e a oposição vem trabalhando no sentido de desgastar o governo, os aliados do governo, trabalhando apenas com a possibilidade da eleição de 2014, e estou vendo dificuldades do governo em buscar novos aliados dentro do grupo que está votando na oposição. Caso não consiga, significa dois anos de derrotas por parte do governo na AL, de projetos importantes como o Proinveste que dificilmente será aprovado, e as consequências não estão sendo medidas, estão trabalhando com a possibilidade do quanto pior melhor, quanto mais fraco tiver o governo melhor, e dentro da análise deles hoje é votando contra e impedindo projetos que ajudem na área social, cultural e educacional do nosso povo.

JD – Com relação a 2014, o senhor defende que o candidato ao governo do estado em substituição ao governador Marcelo Déda seja do PT?
João Daniel – É claro que o partido tem quadros para governar o estado de Sergipe e com todas as condições. No entanto, hoje eu vejo que nós temos uma aliança com outros partidos e que é uma aliança consolidada, e vejo claramente na pessoa do vice-governador pela sua história e pela sua liderança, o nome natural do bloco do governo do Estado para ser o candidato a eleição em substituição ao governo de Marcelo Déda. Na minha compreensão, o nome natural, o nome comprometido, o nome que tem a história das oposições no Estado de Sergipe, que encarna esse projeto liderado por Marcelo Déda e por todos os partidos é o vice-governador Jackson Barreto.

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