JOÃO LEVA 'PREFEITURA NOS BAIRROS' AO TAMANDARÉ

A manhã quente de sábado foi o clima ideal para o prefeito João Alves Filho por em prática o que fez durante a campanha eleitoral do ano passado: gastar a sola dos sapatos. A caminhada aconteceu pelas ladeiras, becos e ruas do Conjunto Almirante Tamandaré (zona oeste), mas o objetivo dela foi diferente: levantar problemas e apresentar os serviços da Prefeitura aos mais de 4 mil habitantes da região, situada ao lado do Conjunto Bugio, um dos mais populares de Aracaju. A tarefa de gastar os sapatos também foi cumprida por todos os secretários e assessores diretos, os quais se esforçavam para acompanhar os passos rápidos do prefeito – e ouvir, com ele, as cobranças dos moradores.

Este promete ser o ritmo do projeto "Prefeitura nos Bairros", um mutirão de serviços que envolve todas as 24 repartições do Município e será realizado aos sábados, de 15 em 15 dias, em cada bairro ou conjunto da capital. O Almirante Tamandaré foi o primeiro bairro a ser visitado pelo projeto, lançado como parte das comemorações pelos 158 anos de Aracaju. Um dos serviços foi uma grande operação tapa-buracos da Empresa Municipal de Obras e Urbanismo (Emurb), cujas equipes e equipamentos com asfalto e piche se espalharam por praticamente todas as ruas da região. O mesmo foi feito pela Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), quanto à limpeza das ruas e canais e a recolha de entulhos – chamada de "cata-treco".
Lâmpadas dos postes de iluminação pública também foram trocadas por equipes da Energisa. Na praça principal, junto ao Posto de Saúde Anália Pina de Assis, vários estandes foram montados, com campanhas educativas, atividades esportivas e recreativas, corte de cabelo, inscrição de famílias no Cadastro Único da Assistência Social e exames preventivos para doenças como diabetes, hipertensão, Aids e Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs). O próprio João Alves esteve no posto e gastou, ao todo, 15 minutos para fazer todos os testes. "Comigo, está tudo certinho", garantiu ele, exibindo disposição, bom-humor e um curativo com band-aid no dedo médio da mão direita.
"O que nós estamos fazendo é resolver coisas simples, mas que faz uma grande diferença ao morador, principalmente o mais pobre, o mais carente. É uma iniciativa para nós vermos de perto os problemas destas pessoas e de mostrar a elas que a Prefeitura existe", explica João, sem parar de caminhar e de conversar com moradores e secretários. "Eu não só estou trazendo as secretarias mais operacionais, como a Emurb, a Emsurb, a Saúde, mas também as não-operacionais, que não têm o costume de sair às ruas, como a Fazenda, a Procuradoria… pra que elas também conheçam a necessidade dos bairros mais carentes", acrescenta.
Durante a caminhada, a comitiva foi parada por muitos moradores que cumprimentavam o prefeito e aproveitaram para tirar fotos com ele. Alguns lembravam que votaram nele nas eleições do ano passado e o elogiavam, mas também faziam reclamações. O comerciante Cléber Antônio da Silva, que mora há oito anos no bairro, foi direto: "Doutor João, a população se juntou e deu 90% de votos com o senhor, que é pra dar um jeito aqui no bairro. Agora é vez do senhor, e vamos esperar", disse, antes de ouvir a resposta do prefeito: "Pode confiar. Não vamos decepcionar vocês".  

Demandas – Entre as principais reclamações, estão as relacionadas ao saneamento básico, à falta de calçamento de ruas e ao alto envolvimento dos jovens com drogas, o que reflete no aumento da criminalidade. Segundo o vice-prefeito José Carlos Machado, a frase "meu filho é drogado" foi uma das mais ouvidas das moradoras do bairro, o que reflete a ausência de projetos de educação e esporte que ocupem o tempo livre dos jovens da comunidade.
A preocupação com a segurança só é superada pelo medo das enchentes dos canais que passam pelo Tamandaré, principalmente na época das chuvas. "Quando chove, enche as ruas todas de água e de lama. Elas vêm até o pé da ladeira e tem gente aqui que perde tudo. A água também passa fazendo estrago aqui e arrebenta os canos todinhos. É um pandemônio isso aqui quando chove, e sem contar que dá rato, dá dengue, dá tudo", relata a aposentada Maria Elisa Carvalho, que mora há cinco anos no conjunto com os filhos e as duas netas – uma delas ainda se recupera de uma virose, provavelmente causada pela proximidade do canal.
Outra situação também foi achada em um córrego nos fundos do conjunto, tomado pelo mato sem qualquer escoamento, com o agravante de uma construção irregular. João prometeu estudar, com os técnicos, o que será feito no local, mas adiantou que, primeiro, será necessário montar um grande plano de macrodrenagem e microdrenagem para integrar todo o sistema pluvial de Aracaju, assim como foi feito em 1975, ao iniciar seu primeiro mandato de prefeito. O estudo inicial do novo projeto deve começar ainda neste semestre. (Gabriel Damásio)

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