Justiça acaba com intervenção ética no Hospital de Socorro

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma liminar expedida na manhã de ontem pela Justiça Federal em Sergipe anulou a intervenção ética adotada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren), contra o Hospital de Nossa Senhora do Socorro, e população volta a ser atendida na unidade. Por mais de 72 horas os pacientes que chegavam em busca de atendimentos no hospital foram encaminhados para outras unidades e apenas nos casos mais agravantes, considerados de extrema emergência foram atendidos. Nesse período presume-se que mais de 50 pessoas deixaram de ser atendidas. A interdição teve início na manhã da última sexta-feira, 22, após os servidores e pacientes alegarem possível falta de segurança no local.

Após oficialização do protocolo encaminhado pelo juiz Federal Gilton Batista Brito, os funcionários do hospital voltaram aos trabalhos e contribuíram para ‘desafogar’ o fluxo de atendimentos no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Para muitos moradores do município, a determinação do juiz foi comemorada. Preocupada com a saúde do filho, a dona de casa Simone Cruz disse estar aliviada e ao mesmo tempo preocupada com a ação da justiça. "Por um lado fico mais tranquila em saber que meu filho vai ser atendido ainda na tarde de hoje, mas por outro lado fico preocupada porque a violência aqui continua tirando a nossa tranquilidade até dentro do hospital", disse.

Pela segunda vez na unidade em menos de dois dias, o pedreiro Luís Dante dos Santos alegando dores no estômago disse não ter suportado esperar por um atendimento no Huse. Segundo ele, a demanda de atendimento nesse final de semana foi superior a todos os outros deste ano e muitos sergipanos decidiram voltar para as respectivas residências. "Morrendo de dor aqui e tendo que andar de hospital em hospital porque não tem segurança. Como se não bastasse a falta de material e médico, agora até a segurança está prejudicando o pobre", lamentou. De acordo com a direção do hospital, todo o problema é de conhecimento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) e da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS).

Preocupada com a iniciativa dos funcionários, a superintendente do Hospital Regional, Genisete Pereira, disse ter adotado a medida em atender casos específicos com o objetivo de não causar um problema maior aos brasileiros que dependem exclusivamente do Sistema Único de Saúde (SUS). "Para que o setor não fosse totalmente interditado, decidimos manter equipes de plantão para atender os casos mais graves. Não poderíamos parar tudo já que temos profissionais e equipamentos. Felizmente hoje os atendimentos foram normalizados após a determinação judicial", declarou. Durante a ‘greve’, os profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu Sergipe) e o Serviço de Remoção Inter-Hospitalar Assistida (SRIHA), deram assistência as demandas.

Na manhã de ontem a FHS informou que semanalmente tem mantido contato com empresa responsável por promover a segurança no Hospital Regional José Franco Sobrinho, instalado no município de Nossa Senhora do Socorro. Ainda pela fundação foi informado que diariamente dois seguranças trabalham na unidade. Com o objetivo de ampliar o sistema de segurança na região, recentemente foi firmado um acordo junto a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE) e com o Comando Geral da Guarda Municipal de Socorro. Ainda pelo Governo do Estado foi informado que após essas parcerias, nenhuma ocorrência foi notificada na Polícia Militar.

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