Justiça decreta greve ilegal, mas médicos permanecem parados

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Médicos que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da Prefeitura de Aracaju, continuam de braços cruzados mesmo após o Tribunal de Justiça de Sergipe ter avaliado como ilegal a greve que completa hoje 17 dias. Insatisfeitos com a postura administrativa adotada pelo prefeito João Alves Filho, a categoria deliberou em assembleia pela manutenção da greve, além de recorrer, por meio da justiça comum e trabalhista, da decisão de ilegalidade nas mobilizações do Sindicato dos Médicos do Estado de Sergipe (Sindmed).
Enquanto a atual administração municipal troca farpas com os servidores da saúde – uma vez que enfermeiros, nutricionistas e odontólogos também decidiram aderir ao movimento coletivo, a Secretaria Municipal de Saúde estima que mais de quatro mil consultas deixam de ser realizadas diariamente em Aracaju. Para logo mais às 7h30, está prevista uma manifestação dos médicos a ser realizada em frente à Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva. Para o presidente do Sindimed, João Augusto, a prefeitura tenta passar por meio da imprensa a garantia de que busca solucionar os problemas apresentados pelos servidores, mas na prática a situação é oposta.
"A população sabe muito bem a forma como o prefeito tem tratado o SUS de Aracaju. Não foi isso o que prometeu durante a campanha eleitoral de 2012. Eles (gestores) sabem, mas vou novamente lembrar que a data base era o último mês de maio e a informação era que até o dia 31 (terça-feira) ele se posicionaria a respeito da nossa reivindicação, mas não cumpriu", declarou.
No início da tarde de ontem o sindicalista informou que ainda não havia sido protocolado o documento que decreta a ilegalidade da paralisação, mas destacou que irá recorrer da decisão assim que o processo chegar à sede do Sindmed. João Augusto Oliveira destacou ainda que a Constituição Federal exige que um limite mínimo de 30% dos profissionais atuantes nos serviços essenciais continuem trabalhando. "Temos plena consciência dos nossos deveres democráticos e por isso ressaltamos que apesar dos obstáculos gerados, nós estamos atuando com 20% acima do que determina a legislação; sendo assim, o Sindicato dos Médicos garante que estamos com 50% de profissionais nos setores de urgência e emergência", pontuou.

Apoio – Enquanto o poder judiciário optava por atender ao pedido da PMA e decretar ilegalidade da greve, demais servidores da saúde – desta vez incluindo os psicólogos e agentes de combate a endemias, deram início a uma suspensão geral dos serviços por um prazo inicial de 24h. Na luta pela recomposição de perdas inflacionárias geradas ao longo dos últimos quatro anos, a presidente do Sindicato dos Enfermeiros Shirley Morales também alega que a prefeitura não se mostra interessada em debater o pleito com a classe trabalhadora. Amanhã, a partir das 9h, uma nova assembleia geral será realizada na sede do Sindicato dos Bancários, em Aracaju, a fim de debater o futuro das mobilizações.
"Enganam-se aqueles que acreditam nas palavras de alguns gestores municipais. Está cada dia mais complicado conversar com o prefeito João Alves Filho e conquistar nossos direitos. Espaço e demanda nós temos até demais para trabalhar, e cumprimos com o nosso dever, o que o outro lado não cumpre é com os direitos dos profissionais da saúde", lamentou.

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