Gabriel Damásio
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Os acusados de formar a chamada "Gangue do Punto Preto", que tinham sido soltos pela Justiça na semana passada, apenas 24 horas depois de serem presos em flagrante pela Polícia Militar, já estão de volta à cadeia. Ontem à tarde, a Polícia Civil confirmou a prisão dos três adultos e dois adolescentes apontados como autores de dezenas de assaltos cometidos no Centro e na Zona Sul de Aracaju. A prisão preventiva deles foi decretada na última sexta-feira pela juíza Valéria de Oliveira Lazar Libório, da 3ª Vara Criminal de Aracaju, que responde temporariamente pela 1ª Vara Criminal, autora do mandado. É a mesma magistrada que, dois dias antes, concedeu liberdade provisória aos acusados, alegando que eles "não oferecem periculosidade".
Um dos acusados, Ronisson Vitor dos Santos, 18 anos, se apresentou na 1ª Delegacia Metropolitana (Cj. Leite Neto), durante a coletiva de imprensa que apresentou detalhes do caso. Na presença dos jornalistas, ele chegou à delegacia acompanhado da mãe e de um advogado. Os outros dois foram presos na tarde de terça-feira: Adson David Ramos Melo, 19, foi achado em sua casa, no bairro São Conrado (zona sul), enquanto Ruan Carlos Silva Melo, 19 anos, estava na casa de parentes no conjunto Marcos Freire, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Ambos haviam sido detidos pela primeira vez em 6 de janeiro, no Cj. Augusto Franco, depois de fazerem três assaltos em sequência – e serem denunciados à PM.
Na ocasião, o grupo foi flagrado com o Fiat Punto usado nos assaltos, um revólver calibre 38, seis munições do mesmo calibre, sete aparelhos celulares, um tablet, dois relógios, duas correntes de prata e duas bolsas. Todo o material havia acabado de ser subtraído de pessoas da região. Além de Ronisson, Ruan e Adson, dois adolescentes de 15 anos também participavam do grupo de assaltantes e foram detidos com os maiores, durante a abordagem feita pela Companhia de Radiopatrulha (CPRp). Ambos estão cumprindo medida socioeducativa na Unidade Sócio Educativa de Internação Provisória (Usip). Um deles, identificado erroneamente como maior de idade, é apontado como o chefe da gangue, que organizava os assaltos e definia a hora e o local das ações criminosas.
A delegada Maria Zulnária Soares, responsável pelo caso, demonstrou que a polícia não se abateu com a primeira decisão judicial e continuou levantando provas e ouvindo vítimas do grupo. "Quando eles foram presos, tratamos imediatamente de fotografar estes indivíduos para dar andamento aos inquéritos instaurados aqui. As vítimas que compareceram à delegacia reconheceram os mesmos indivíduos. Para nossa surpresa, no dia seguinte, soubemos que eles haviam sido liberados, mas diante das evidências que já tínhamos contra eles nos inquéritos, representamos pelas prisões dos mesmos", afirmou Zulnária.
A delegada referiu-se a uma série de vítimas que prestaram queixas na 1ª DM e também na 4ª DM (Augusto Franco). Elas relataram que os cinco assaltantes usavam um Fiat Punto de cor preta, que pertence à mãe de um dos acusados, e costumavam agir em crimes seguidos, sempre com muita violência. "As vítimas saíam traumatizadas. Eles rendiam os clientes das lanchonetes, roubavam o caixa das lanchonetes, tomavam os celulares, ameaçavam, empurravam… criavam toda uma situação de constrangimento e violência", disse ela, confirmando que os rapazes são jovens de classe média e "têm famílias de bem, mas infelizmente, talvez por inexperiência ou más influências, seguiram os caminhos errados".
Ainda segundo a delegada, ela e sua equipe de agentes tiveram um esforço extra de convencer algumas vítimas a prestar depoimento, já que elas não queriam prestar depoimento ou queixa. "Nós fomos em busca destas vítimas que não queriam lavrar o boletim de ocorrência. Fomos explicar a elas que nós precisávamos desse apoio, dessa ajuda delas em fazer os boletins e prestar as informações para que nós representássemos pela prisão desses indivíduos. Vamos fazer um trabalho para buscar a verdade desses fatos e apresenta-la à Justiça", revelou.
Ao mesmo tempo em que a polícia apresentava as provas, também havia sido impetrado na 3ª Vara um "recurso em sentido estrito", de autoria do promotor Félix Carballal, do Ministério Público Estadual (MPE), no qual ele contestava a primeira decisão da juíza de libertar os réus. O teor do recurso e a segunda decisão não foram divulgados, mas a delegada, mesmo preferindo não fazer juízo sobre a decisão da magistrada, confirmou que as informações levantadas e o reconhecimento das vítimas foram bastante suficientes para que a prisão fosse novamente decretada.


