Milton Alves Júnior
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Permanece crítica a moradia de dezenas de famílias que há exatos 20 dias tiveram que deixar suas casas e habitar temporariamente em abrigos com precária estrutura cedidos pela prefeitura. Com a passagem de forte chuva e rajadas de ventos, ruas foram inundadas, árvores tombaram, centenas de casas foram danificadas e, na zona Oeste da capital, o rio Poxim transbordou, alagou parte dos conjuntos Sol Nascente e Santa Lúcia e gerou o início de longo prejuízo material para mais de 50 famílias. Interessado em conferir de perto a situação que vivenciam esses moradores, na manhã de ontem o Jornal do Dia visitou as regiões mais atingidas e se deparou com uma triste realidade de pouco conhecimento por parte dos demais aracajuanos.
Devido à fragilidade das paredes, reformas emergenciais necessitaram ser feitas a fim de evitar colapso das residências e resultar em sinistros envolvendo vítimas graves. Além da despesa inesperada justamente em um momento de crise econômica e inflação nas alturas, o medo de novas enchentes predomina a preocupação de parte dos moradores, e mudar de casa seria a melhor alternativa, porém, diante da conjuntura habitacional, a desvalorização do imóvel só faz aumentar. Durante os dias de vias interditadas o Governo do Estado juntamente com a Prefeitura de Aracaju chegaram a informar que têm como meta buscar medidas estruturais que resultem em benefícios para a população, mas essa intervenção arquitetônica deve demorar.
Sem data prevista para início e fim das obras, parte destas 50 famílias desabrigadas já iniciou a luta pela venda dos imóveis. Mostrando-se indisposto e impaciente em permanecer na área atingida, Miguel Reis, de 56 anos, disse não ter mais paciência para esperar intervenções governamentais. Morador do Sol Nascente há quatro décadas, ele fez uma avaliação do problema. "É uma questão social e de costume do brasileiro. Enquanto a rua estava alagada as pessoas pensavam em vir ajudar, depois que a rua secou, todos, incluindo os mesmos gestores que fizeram promessas de melhorias parecem ter recuado. Talvez por achar que os transtornos foram embora e agora estamos na paz. O risco de inundação aqui é 24 horas, não dá para ter sossego", analisou.
Paralelo aos danos nas estruturas dos imóveis – danos estes que contribuíram para especialistas da Defesa Civil indicarem a saída das famílias, prejuízos com a perda de móveis e vestuários têm transformado as últimas três semanas destes moradores em poços de dificuldades. Por toda a área atingida é possível se deparar com restos de sofá, televisores, pedaços de cama e colchões, por exemplo. Para criar ainda mais preocupação à comunidade, o período de inverno se aproxima. "E sinceramente se outro alagamento for feito aqui não sei como será a nossa vida. Aos poucos estou começando a comprar novamente móveis que perdi, mas sei que muitos estão ainda sem nada. Qualquer chuva que cai já ficamos preocupadas", relatou a moradora Maria da Conceição.
Conforme avaliação operacional da Secretaria Municipal de Assistência Social de Aracaju, as pessoas que moram no loteamento Largo da Aparecida, no bairro Jabotiana, foram mais prejudicadas em virtude de esse ponto geográfico ter sido o mais afetado da cidade pelas fortes chuvas do último fim de semana de maio. Por aproximadamente cinco dias mais de 100 pessoas estiveram abrigadas em uma unidade escolar e que estava desativada. Outra parte foi encaminhada para uma Unidade de Atendimento da Assistência Social que fica localizada no próprio conjunto. Segundo a secretaria, a prefeitura continua trabalhando para melhor atender socialmente as famílias que, por ventura, ainda necessitem de assistência pública.
Expansão – Situação crítica enfrentam também os moradores da Área de Expansão que, em mais uma oportunidade perderam parte do patrimônio que há décadas vem sendo construído com muita luta. Segundo a direção do Conselho das Associações de Moradores dos Bairros Aeroporto e Zona de Expansão de Aracaju (Conbase), toda a área sul da capital está esquecida pelos poderes públicos. "Essa não foi a primeira vez e não será a última que os moradores da Zona de Expansão foram prejudicados. Infelizmente as promessas feitas em 2012 durante a campanha eleitoral até agora não foram cumpridas. As mudanças e soluções de problemas ainda não chegaram por aqui", destacou Karina Drummond.
Sobre os últimos registros de chuvas na Grande Aracaju, a presidente do Conbase reafirmou a permanência dos impasses sociais e pede ajuda. Sem pavimentação, ruas continuam esburacadas e algumas delas quase intransitáveis. Carros de menor porte são obrigados a transitar parcialmente por dentro das crateras. "Esses casos são comuns por aqui porque não existem reparos. Sem manutenção as ruas ficam esburacadas e a população sofre cada vez mais. Com o inverno que se aproxima, o medo de perder outros bens está estampado na fisionomia de todos, mas pouco ou nada fazem por esta parte territorial de Aracaju", pontuou.
A previsão do tempo para este domingo é de chuva intensa em algumas partes da capital sergipana. Nas demais áreas a tendência é de céu nublado e temperatura que varia entre 24 e 27 graus. Já na segunda-feira a previsão é de tempo parcialmente nublado, com pouco registro de chuva. Na terça-feira, 16, o tempo volta a fechar e registrar chuvas mais intensas. A temperatura máxima pode chegar aos 28 graus, e a mínima aos 22.

