Laudo confirma estupro e polícia procura acusado

A superintendente da Polícia Civil, delegada Katarina Feitosa, anunciou ontem que o órgão já recebeu do Instituto Médico-Legal (IML) o laudo pericial dos exames realizados na menina de 12 anos que foi violentada em 11 de fevereiro na Chácara João XXIII, em Salgado (Centro-Sul). Este laudo, segundo ela, comprovou que a vítima sofreu "laceração anal" e outras lesões provocadas por uma relação sexual anal. O principal acusado do crime, o estudante moçambicano Daniel Manuleke de Souza, 18 anos, não se apresentou à polícia até o início da noite e teve o seu nome incluído no cadastro de foragidos da Polícia Federal, que agora também poderá capturá-lo em qualquer lugar do território nacional.

Manuleke teve sua prisão preventiva decretada pelo juiz Gustavo Adolfo Plech Pereira, da Comarca de Itaporanga D’Ajuda (Sul), a pedido do Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV), responsável pela investigação do caso. "A família dele tem conhecimento da prisão, disse que iria apresentá-lo, e não o fez. Então, ele se encontra hoje foragido. Já repassamos os dados dele à Polícia Federal e mobilizamos a Polinter (Polícia Interestadual) no sentido de cumprir o mandado de prisão", garantiu Katarina, acrescentando que "o cerco está se fechando" contra o moçambicano. Os advogados de defesa afirmam que não vão apresentá-lo para "preservar a imagem dos envolvidos".

A delegada confirmou ainda que o IML entregou ontem o laudo pericial ao DAGV e foi taxativa ao considerar que ele confirma tudo o que havia sido relatado pela garota em seu depoimento à polícia. A vítima foi levada ao banheiro da chácara, onde ocorria um retiro espiritual, e abusada por Manuleke, que apesar de ser portador do vírus da AIDS, não fez uso de preservativo ou qualquer outro método de proteção contra doenças. "Os depoimentos que já ouvimos confirmam que houve fornecimento de medicamentos apropriados à vítima por parte dos pais do autor, que procuraram a criança no dia seguinte ao fato", relata ela.

A superintendente também rebateu, em tom forte, as declarações do advogado de defesa do estudante, Max Carvalho Amaral, o qual alega "equívocos" no inquérito policial do estupro e que provas e depoimentos não tinham sido colhidas, o que tornaria "precipitado" o mandado de prisão contra Daniel. "O inquérito está muito bem instruído e foi acompanhado pela diretoria do DAGV. As delegadas tomaram todos os cuidados na confecção do inquérito e existem há depoimentos e provas muito concretas do delito. Nós não vamos admitir que a defesa desconstrua o inquérito, nem que ela desqualifique nosso trabalho", avisou Katarina.

Igreja – A Igreja Presbiteriana Independente de Aracaju, responsável pela organização do retiro ocorrido em Salgado, divulgou ontem uma nota oficial, na qual manifestou "seu sentimento de profunda tristeza com o caso", e colocou-se à disposição dos familiares da vítima e do acusado. "Neste momento traumático para ambas as famílias, rogamos a Deus por conforto e paz, bem como nos colocamos a disposição para assisti-las espiritualmente. Salientamos ainda que, por termos a verdade como dogma absoluto, desejamos que os fatos sejam amplamente investigados pelas autoridades competentes e a justiça se estabeleça", diz o texto. Ele acrescenta que a igreja atua em Sergipe há 109 anos, "sempre trabalhando pelo fortalecimento das famílias por meio do ensino e prática dos genuínos valores morais e éticos do Evangelho de Cristo". (Gabriel Damásio)

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