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Lixões com dias contados


Publicado em 01 de julho de 2012
Por Jornal Do Dia


O gerente operacional da Estre, Francisco Aragão

Adiberto de Souza

Até 2014, todas as prefeituras devem acabar com os perigosos lixões, que acumulam de qualquer forma todo tipo de lixo produzido pela população. Em Sergipe, o grande passo para acabar com esse grave problema foi dado com a instalação em Rosário do Catete do Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR Sergipe) da empresa Estre. Nesta entrevista, o gerente operacional da Estre, Francisco Aragão, diz acreditar no fim dos lixões e revela que CGR Sergipe já recebe por dia 500 toneladas de lixo produzidas por prefeituras e empresas instaladas no estado.

JORNAL DO DIA – O senhor acredita que o Plano Nacional de Resíduos Sólidos vai conseguir acabar com os lixões existentes hoje nos centros urbanos?

FRANCISCO ARAGÃO – Seguramente o Plano Nacional de Resíduos sólidos, que deverá entrar em vigor no início do ano de 2014, vai extinguir  todos os lixões existentes, obrigando a todos os gestores públicos, empresários e comerciantes a dispor seus resíduos em aterros sanitários, onde a principal diferença é o controle do chorume e do gás metano produzidos com a deterioração do lixo e altamente poluentes para o lençol freático e a camada atmosférica. O gestor que a partir de 2014 infringir a regulamentação sofrerá autuações e ficará impossibilitado de pegar financiamentos em nível federal. Por isso acredito que todos deverão se enquadrar às novas regras.

JD  Até quando as prefeituras terão que apresentar seus projetos visando acabar com os lixões?

FA – As prefeituras têm limite de apresentar seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos até agosto deste ano. As que não fizerem ficarão impossibilitadas de conseguir financiamentos em nível federal.

JD – A Estre Ambiental está preparada para atender quantos municípios sergipanos?

FA – Temos capacidade para receber 14 milhões de toneladas de resíduo classe II, o que equivale a uma vida útil de aproximadamente 50 anos recebendo lixo de todo o estado. Estamos estudando áreas em pontos estratégicos de Sergipe para construirmos pontos de transbordo visando reduzir a distancia entre os municípios e o aterro. Uma área já foi adquirida em Nossa Senhora do Socorro, que servirá de transbordo para os municípios e empresas da grande Aracaju. Elas vão entregar seus resíduos neste ponto e nós transportaremos para o aterro sanitário localizado em Rosário do Catete, diminuindo o custo com transporte e facilitando a entrega do resíduo.

JD – Qual o tipo de resíduos que a Estre Ambiental trabalha no momento?

FA – No momento, nosso aterro está licenciado para receber resíduos Classe II, A e B. Estamos em fase de licenciamento de um aterro no mesmo local para resíduos perigosos, Classe I. Nosso projeto abrange também uma unidade de tratamento de resíduos de construção civil, biorremediação, dessorção térmica, e uma central de biogás que queimará o gás metano, convertendo em crédito de carbono, além de e uma cooperativa que irá segregar o resíduo para reciclagem. Iremos dispor também de uma unidade de valorização de resíduos, capaz de triturar o lixo transformando em um combustível derivado de resíduo, que é utilizado em fornos de cimenteiras com alto poder calorífico.

JD – Qual o volume de resíduos sólidos recolhido diariamente pela Estre?

FB – Recebemos atualmente 500 toneladas por dia, volume que seria lançado no diversos lixões do estado. Portanto, acreditamos que a Estre, através do seu Centro de Gerenciamento de Resíduos de Rosário do Catete, está contribuindo para uma melhor educação ambiental para Sergipe.

JD – Quais os principais problemas gerados pelos lixões?

FB – Os lixões contaminam o lençol freático com a falta de controle e encaminhamento do chorume e produzem o gás metano que é lançado na atmosfera, aumentando o efeito estufa. Num aterro sanitário revestimos a área com uma manta de PEAD, evitando que o líquido percolado penetre no solo, pois ele é transportado para tanques para, após tratado, ser utilizado na área para aspersão nos acessos e irrigação nas gramas. Já o gás metano é queimado e transformado em gás carbono, que é 21 vezes menos poluente para a atmosfera. Quando tivermos um volume maior, iremos gerar o crédito do carbono com a queima, atividade já realizada em nossos outros aterros no país.

JD –  A Estre já trabalha com quantas empresas instaladas em Sergipe?

FB – Trabalhamos com as cidades de Rosário do Catete, Siriri e Carmópolis, Petrobrás e suas terceirizadas, Brascon, Tavex, Sabe Alimentos, CICP, Intergriffes, Heringer, Votorantin, L&M, Brando, Biorecycle, Asa Brasil, Curtume Souza, Construtora Elos, Planeta Limpo, Via Norte, Loc e Valmar, num total, em média, de 500 toneladas por dia. Também já fechamos contrato com os shoppings de Aracaju e estamos em negociação com várias indústrias de diversos segmentos. Acreditamos que até o final do ano deveremos receber cerca de mil toneladas por dia de resíduo Classe II. Até dezembro também já estaremos preparados para receber o resíduo Classe I. Temos uma gerencia comercial dirigida pelo Frederico Lima, que está à disposição nos telefones (079) 3274-1365 e 3274-1627.

JD –  Quantos empregos são gerados pela Estre Ambiental em Sergipe?

FB – Atualmente geramos 40 empregos diretos e indiretos. Quando toda a nossa planta estiver pronta, deveremos gerar em torno de 200 empregos diretos.

JD – A empresa desenvolve algum programa social no estado?

FB – Com a cooperativa, vamos cadastrar os catadores para trabalhar na segregação do lixo, devendo a renda gerada ser distribuída entre eles. Já existe uma unidade nossa em Paulínea (SP), onde temos uma cooperativa formada por presidiários com ISO 14.001, além do Instituto Estre, responsável, entre outras ações, por levar crianças, escolas e faculdades para mostrar nosso trabalho, enfatizando assim a educação ambiental

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