Machado diz que não há ladrões na PMA

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Em depoimento prestado ontem à Polícia Civil, o vice-prefeito de Aracaju, José Carlos Machado (PSDB), negou ter qualquer indício ou suspeita da existência de qualquer esquema de corrupção dentro da Prefeitura de Aracaju (PMA). Ele compareceu à sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), no centro da capital, e prestou depoimento durante cerca de uma hora à delegada Danielle Garcia, coordenadora da unidade. O objetivo do depoimento foi esclarecer a gravação de uma conversa entre Machado e um interlocutor, divulgado na semana passada pelas redes sociais, na qual o vice-prefeito afirma que integrantes da equipe do prefeito João Alves Filho (DEM) "não querem trabalhar, só roubar" – e que o próprio prefeito estaria "cagando" para este fato.
Acompanhado por um advogado, Machado chegou à delegacia pela manhã, com cerca de uma hora de atraso em relação ao previsto, e deixou para falar com a imprensa na saída, após o depoimento. O vice-prefeito repetiu que a frase dita na gravação foi "um desabafo" expressado em um momento de raiva, mas não faz referência a qualquer esquema ou atividade ilícita. "A delegada me perguntou se eu tinha provas de corrupção praticada por algum membro da equipe de João Alves. E eu disse: ‘De hipótese nenhuma, realmente não as tenho’. Ressaltei as qualidades de homem íntegro e honesto do prefeito, porque tenho com João Alves uma convivência política de mais de 40 anos. Não tenho nenhuma dúvida sobre a integridade moral do prefeito", disse.
Machado garantiu também que não fez referência pessoal a nenhum secretário ou assessor da PMA, e confirmou que procurou pessoalmente os colegas de governo para pedir desculpas pela frase. No entanto, ele se esquivou quando foi perguntado sobre o secretário de Comunicação, Carlos Batalha, que deve voltar ao cargo depois de permanecer cerca de três semanas na Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). "Batalha não é secretário, né? Foi secretário quando? O jornal disse hoje que Machado falou com os secretários do prefeito", desdenhou. Já sobre João Alves, com quem conversou ontem por telefone, o vice-prefeito admitiu que "um episódio como esse deixa sequelas que só o tempo vai tratar de corrigir".
Já sobre a gravação da conversa e a forma como ela foi divulgada, através de um trecho de 15 segundos, José Carlos Machado também frisou que não sabe a autoria e nem quem foi o interlocutor, mas atribuiu-a a pessoas que queriam lhe prejudicar. "Eu concluo que tudo isso tinha um objetivo. Foi uma ação planejada com o intuito de me prejudicar politicamente. O que levou a cometer aquele desabafo foi um momento difícil, fruto de pressões políticas. Eu pleiteava uma vaga em um clima de absoluta tensão. Isso pode ter provocado, talvez um sentimento de revolta, de destempero verbal, mas saio daqui absolutamente tranquilo", afirmou ele, referindo-se às disputas internas entre partidos da base de apoio pela formação da chapa que disputará a candidatura de João Alves à reeleição, na votação de outubro.

Arquivado – A delegada Danielle Garcia indicou, após o depoimento, que o procedimento policial aberto no Deotap, a pedido da Secretaria da Segurança Pública (SSP), será arquivado por falta de provas iniciais sobre as suspeitas de corrupção na PMA. "A intenção do depoimento era saber se ele tinha alguma informação ou indício para que a gente apurasse um suposto desvio de dinheiro. Entretanto, ele disse que falou aquilo em um momento de exasperação, de forma açodada, que estava sendo incitado a fazer comentários sobre o cenário político, era uma situação muito complicada pra ele. Não tem nada mais de um áudio onde ele diz aquilo que não foi exatamente o que quis dizer", afirmou.
Danielle assegurou que, no entanto, "nada impede" a instauração de um inquérito policial para apurar desvios de recursos em qualquer esfera pública, caso surjam provas mais concretas. "Qualquer órgão público que se envolva em corrupção, seja da Prefeitura [de Aracaju], de outras prefeituras ou do [Governo do] Estado, a Deotap estará pronta para apurar. E vamos aguardar o surgimento de informações. Neste caso, com o que temos hoje [a gravação], não há nem justa causa para instaurar o inquérito policial", concluiu a delegada.

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