Policiais doam sangue em protesto

Os movimentos reivindicatórios ‘Polícia Legal’, dos bombeiros e policiais militares, e ‘Escravos da Lei’, dos policiais civis, entram hoje em seu terceiro dia, com a promessa de novas manifestações pelas ruas da capital. Desde a última segunda-feira, eles reduziram as atividades diárias de policiamento, executando-as de acordo com as condições de trabalho oferecidas pelo Estado e conforme o que está previsto na legislação. Apesar de as entidades de classe alegarem que a adesão dos servidores foi total, os comandos das polícias Civil e Militar asseguram que não houve prejuízo no atendimento à população e que os policiais permanecem trabalhando nas ruas.
Ontem, os agentes e escrivães da Polícia Civil fizeram uma doação coletiva de sangue no Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose), no Capucho (zona oeste de Aracaju). Centenas de policiais se concentraram na porta do Hemose por toda a manhã e reforçaram o estoque do banco de sangue do órgão, usando o lema "Sem salário, o policial civil doa a vida e o sangue pela sociedade". Eles se manifestaram contra o atraso no pagamento dos salários do mês de julho e o anúncio, confirmado ontem, de que os vencimentos serão depositados em duas parcelas. "Infelizmente, o governo do Estado está nos desrespeitando. Nós suportamos até onde era possível. Agora, só aceitaremos salários pagos integralmente dentro do mês", disse o agente Luiz Borges de Lima, dirigente do Sindicato dos Policiais Civis de Sergipe (Sinpol).
O início efetivo da ‘Operação Escravos da Lei’ será hoje de manhã, logo após a assembleia marcada para às 9h, na sede da Academia de Polícia Civil (Acadepol). Os agentes e escrivães só executarão serviços como registros de ocorrências, e ordens repassadas por escrito pelos delegados. "Nenhum policial irá à rua para cumprir mandados de prisão ou fazer investigações. Não faremos nenhuma greve, porque todos irão trabalhar, mas faremos somente os serviços internos das delegacias", esclareceu Borges. A exceção pode ser aplicada em casos de emergência ou em inquéritos que envolvam a participação de grandes organizações criminosas e políticos suspeitos por crimes de corrupção.

Compartilhe esta notícia