Cândida Oliveira
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No final da manhã de ontem, 23, motoristas e cobradores das empresas Viação Cidade de Aracaju (VCA) e São Cristóvão saíram em caminhada da sede da empresa no bairro Capucho até a sede do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Aracaju (Setransp). Depois paralisaram a entrada e saída de ônibus no terminal de integração do Distrito Industrial de Aracaju (DIA). O engarrafamento nas avenidas Tancredo Neves, Adélia Franco e Hermes Fontes foi grande, mas logo depois o trânsito foi liberado pelos manifestantes. O ato foi gerado por conta dos 53 dias de atraso no pagamento do salário do mês de junho.
A situação não se estendeu a outros terminais, porque ainda no período da manhã a direção do Setransp, do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra) e um representante da VCA se reuniram. Na ocasião ficou acordado que amanhã, quinta-feira, o pagamento deve ser realizado. A SMTT, gestora do sistema, desconheceu o problema e deixou a população enfrentar o caos sem transporte público em plena hora do almoço.
Segundo o presidente do Sinttra, Miguel Belarmino da Paixão, o Setransp que irá efetuar o pagamento, já os tickets serão pagos posteriormente. "Na sexta-feira ou sábado o ticket alimentação será liberado", assegurou o sindicalista.
Quando questionado sobre o salário de julho, Miguel esclareceu que é um assunto que está sendo pensado, mas não foi discutido, pois a prioridade agora é o pagamento de junho. "Depois de junho vamos conversar sobre julho", garantiu Miguel.
Sobre a possibilidade da falência da VCA e São Cristóvão, o presidente do Sinttra disse que o problema se tornou uma bola de neve. "A situação não é boa e só piorou com o tempo. Desde o mês de setembro do ano passado eles não pagam rescisão trabalhista. Muitos funcionários querem sair da empresa e não sabem como fazer", relatou.
No tocante à volta ao trabalho dos funcionários das duas empresas, Miguel destacou que é quase impossível esse retorno acontecer. "Eles já não ouvem a comissão de greve que eles elegeram nem o Sinttra. É uma situação complicada de resolver, porque atinge outras questões, como a família, as contas para pagar", observou.
Apoio – A cuidadora de crianças Miriam Conceição Correia teve dificuldade no período da manhã, quando saiu do trabalho para retornar a sua casa, no conjunto Marcos Freire, em Nossa Senhora do Socorro, mas mesmo assim, ela apoiou a manifestação dos rodoviários. "Sou contra o vandalismo, mas a manifestação que eles fizeram foi tranquila, então apoio a paralisação, porque entendo que todo trabalhador precisa receber seu salário. Ninguém quer trabalhar para não receber", justificou.
O pintor Jorge Santos de Souza contou que a paralisação atrapalhou o dia, no entanto ele é favorável a postura dos trabalhadores das empresas VCA e São Cristóvão. "Cheguei um pouco atrasado no trabalho, mas isso não me incomodou, porque eles estão no direito deles e se for preciso parar outras vezes, que parem quantas vezes precisar".


