Engenheiros do estado de Minas Gerais devem chegar na manhã de hoje a Aracaju com a missão de tentar solucionar, novamente, problemas apresentadas pela máquina de radioterapiada Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia. Essa é a terceira vez em menos de oito meses que o equipamento apresenta pane e suspende as atividades. Sem assistência, pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) devem migrar para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) em busca de atendimento especializado. A direção da unidade filantrópica informou que a complicação operacional ocorreu na mesa controladora da máquina – local onde fica o paciente -, e foi registrada na manhã da última segunda-feira, 24.
Quanto ao número de pacientes prejudicados com a situação, o Hospital de Cirurgia informou que no primeiro dia de paralisação foram 38; ontem foram mais 35, e hoje, 36 usuários do sistema foram impossibilitados de prosseguir com o tratamento. Como a normalização da máquina está prevista apenas para até a próxima sexta-feira, 28, a perspectiva é que pelo menos mais 60 pacientes sofram com a falta de assistência. Diante da recorrência dos fatos e preocupados com a possibilidade de novas paralisações ao longo deste ano, pacientes e familiares ameaçam denunciar o caso junto ao Ministério Público Estadual (MPE), e Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE).
A última vez que a máquina quebrou foi no mês de outubro do ano passado quando permaneceu indisponível por mais de dez dias e prejudicou cerca de 200 pessoas de vários municípios sergipanos. Para a funcionária pública Alessandra Valença dos Santos – que acompanha a mãe em tratamento -, a falta de cuidados e manutenção rotineira nos equipamentos públicos tem contribuído para a precarização do serviço. Paralelo ao retrocesso contínuo do SUS, a denunciante garante que centenas de pessoas em Aracaju e região metropolitana correm risco de morte em decorrência da vulnerabilidade funcional do sistema. Ela pede intervenção imediata dos órgãos públicos de fiscalização.
“O pior disso tudo é que o problema não é novo, está aí acontecendo direto. Não se compra máquinas novas; não possui manutenção semanal; sequer possui uma equipe de técnicos especializados aqui em Aracaju para resolver o problema de imediato. Tem que esperar eles chegarem de Belo Horizonte, analisar o problema e depois, quem sabe, voltar a funcionar. Se precisar de peça pode botar pelo menos uma semana com a máquina parada e o povo sofrendo”, lamentou. A escala de atendimento está sendo alterada e será divulgada assim que a máquina de radioterapia voltar a funcionar dentro da normalidade. Atualmente o serviço público de saúde em Sergipe dispõe de três equipamentos, sendo um no HC e mais dois no Huse.


