Milton Alves Júnior
Forte erosão provocada pelo mar voltou a causar transtornos para moradores e gestores públicos do município de Pirambu, litoral sergipano. Durante os últimos cinco dias a população tem se deparado com constante avanço da maré que aos poucos destrói casas, prédios estatais e estabelecimentos comerciais, e causa prejuízos para dezenas de pessoas. Paralelo às tradicionais ‘águas de marco’, a construção da cidade abaixo do nível do mar contribui diretamente para que todos os anos o cenário de destruição se repita. Segundo estudos do Centro Nacional de Meteorologia, a média de chuva para o mês de março é de 216 milímetros, número alto em relação aos outros meses. Desta vez, a Praça de Eventos do município praiano foi o ponto mais destruído durante a primeira quinzena deste mês.
Análises técnicas destacam o fim da estação mais quente do ano como importante aspecto climático que contribui para a mudança na força e nível da água. Com o fim do Verão, chuvas mais densas são esperadas, fato esse que ocorre em especial durante o mês de março e contribuem para marés mais cheias. A elevação do nível da água nos rios, devido ao aumento da vazão, e o transbordamento das águas são fenômenos de efeito do escoamento, que aproximam-se do litoral sergipano em forma de chuva.
Para o biólogo Gustavo Hansbeck, pós-graduado pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), a falta de políticas públicas que valorizem o meio ambiente, principalmente na costa sergipana, é o principal erro causado por gestões públicas. De acordo com o especialista, é possível que outras ações semelhantes à da semana passada possam se repetir ao longo deste ano. "Quem nunca ouviu falar que aos poucos a natureza toma de volta o que é dela? De alguma forma isso acontece e para evitar é preciso pensar mais e valorizar mais a natureza. Estas chuvas acontecem todos os anos e os resultados são sempre os mesmos. Falta interesse em buscar ações racionais que possam inviabilizar essas ocorrências", destacou.
Hoje, 22 de março, é comemorado o Dia Mundial da Água, e Hansbeck enfatizou a importância em governantes de todas as esferas unirem-se para estudar alternativas emergenciais. Questionado quanto ao futuro destas áreas destruídas caso não haja mudanças, ele foi pragmático: "não tem outra, a maré vai continuar agitada e avançando. Aos poucos o mar vai deteriorando seja lá qual for a construção feita. Ou medidas emergenciais são definidas, ou esses moradores permanecerão contabilizando prejuízos", disse.
Por fim, tendo o município de Pirambu como exemplo, Gustavo concluiu ressaltando que a situação hoje vivenciada pelos pirambuenses deve ser adotada como exemplo para outros povoados como Caueira, em Itaporanga D’Ajuda; e Abais, em Estância. "Trata-se da mesma situação. Hoje a maré destrói a praça, casas de veraneio, ou calçadão, e meses depois a prefeitura faz uma nova reforma e conserta o dano. No ano que vem o problema volta a ser registrado. As águas de março são mesmo fortes, mas ações como o aterro de parte do rio Sergipe, como ocorreu na avenida Beira Mar, em Aracaju, pouco ou muito também ajudam a fortalecer essas erosões", pontuou.
Inviabilidade – Ciente da situação de risco, a Prefeitura de Pirambu esclareceu que existe dificuldades financeiras que ocasionem na inviabilidade de buscar soluções para o escoamento instantâneo das águas durante os períodos de enchentes. O secretário de Comunicação do município, Chico Freire, porta voz do prefeito Élio Martins (PSC), disse que a administração da cidade não possui condições financeiras para evitar que a cidade enfrente esse tipo de ocorrência sempre no primeiro trimestre de cada ano.


