Material de construção vende menos

As vendas de material de construção estão abaixo das expectativas dos varejistas. Segundo Jailson Menezes, diretor da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), em setembro passado o setor registrou uma queda de 2,5% nas vendas, provocada principalmente pela greve dos bancários. Apesar disso, ele acredita numa recuperação com a proximidade do final do ano, quando as pessoas costumam fazer reformas em seus imóveis.

JORNAL DO DIA – Qual a expectativa de venda por parte dos empresários de material de construção para o final do ano, quando aumenta o volume de reformas dos imóveis?

JAILSON MENEZES – Agora em 2012 o mercado esta se comportando diferente dos anos anteriores. Na virada do semestre os empresários estavam bem mais otimistas quanto às vendas de final do ano, mas a atual situação econômica nos obrigou a fazer uma reavaliação sobre o crescimento das vendas. Para se ter uma idéia, em setembro passado, mês considerado muito bom para o varejo da construção civil, tivemos uma queda de 2,5% nas vendas, principalmente em função da greve dos bancários.

JD – O senhor quer dizer então que as vendas de material de constrição no terceiro trimestre deste ano ficaram abaixo do esperado. É isso?

JM –  É mais ou menos isso, pois apesar da leve recuperação verificada em agosto passado, ocorreu uma queda de 2,5% em setembro, conforme pesquisa feita nacionalmente pela Anamaco.

JD – O aquecimento da construção civil tem contribuindo para aumentar as vendas de material de construção?

JM – Em partes. É preciso deixar claro que a cadeia produtiva da construção – indústrias e construtoras – está muito bem. A questão é que os lojistas e distribuidores de material de construção vendem muito pouco ou quase nada para as construtoras, que compram direto da fábrica. Muita gente imagina que o varejo de material de construção está bem por causa do aquecimento do setor de construção civil, mas não é isso que ocorre. Na verdade, neste bojo o que sobra para nós são as reformas dos imóveis, pois as pessoas sempre mudam alguma coisa quando recebem o empreendimento novo. Ressalto, contudo, que o forte endividamento das pessoas tem contribuído para a redução do consumo de material de construção.

JD – Qual é hoje a principal queixa dos varejistas de material de construção?

JM – A principal queixa do setor é a elevada taxa tributária. Os empresários reclamam, mas são obrigados a pagar altos tributos e taxas que reduzem consideravelmente a margem de lucro.

JD – Até que ponto isenção do IPI concedido pelo governo para vários setores da economia beneficiou o comércio de material de construção?

JM – Beneficiou muito. Caso não houvesse a desoneração do IPI para material de construção alguns produtos estaria cerca de 10% mais caros e isso seria péssimo para o mercado. Vale ressaltar, porém, que quando o governo reduz o IPI de outros setores da economia causa reflexo negativo para o varejo de material de construção.

JD – O volume de empregos gerados este ano pelo setor de material de construção atendeu as expectativas ou ficou abaixo do esperado?

JM – Confesso que o número de empregos gerados ficou abaixo do esperado. No final de 2011 fizemos projeções muito boas quanto à geração de empregos no setor. Prova disso é que criamos nosso próprio curso de vendas para estimular as pessoas. O que vimos foi que muitos dos profissionais formados pelo curso não conseguiram ingressar no mercado de trabalho por conta do pequeno crescimento do setor de material de construção.

JD – Empresários da construção civil têm reclamando que as indústrias de cimento têm reduzido a oferta do produto no estado. O setor de material de construção também está sentindo esse problema?

JM – Olha, temos percebido sim a falta de cimento em Sergipe, mas o fabricante informou que, aos poucos, o problema está sendo resolvido. Entendemos que essa escassez é maior porque boa parte do cimento produzido em Sergipe vai para outros estados.  

JD – Quantas empresas de material de construção  existem em Sergipe?

JM – Na grande Aracaju são cerca de 550 empresas e em todo o Estado mais de 1.200. Juntas, elas empregam diretamente mais de 20 mil pessoas. Os empregos indiretos chegam a mais de 100 mil se contarmos os promotores de vendas, representantes comerciais, caminhoneiros, carroceiros, etc. É um grande mercado.

JD – Em setembro passado, o Banco do Brasil firmou parceria com a Anamaco para facilitar o acesso ao crédito através de uma linha de financiamento com taxas de 1,49% ao mês. Os empresários têm demonstrado interesse pelo crédito?

JM – A nossa expectativa é que as vendas cresçam com a proximidade do final do ano graças a disponibilização de crédito pelo setor bancário. Neste cenário, se destaca a parceria do Banco do Brasil com a nossa associação visando oferecer as pessoas físicas crédito para a compra de material de construção com taxas de juros a partir de 1,49% ao mês. É importante explicar que contratação dessa linha de crédito é realizada diretamente nas lojas de material de construção. Isso é muito bom porque o lojista recebe à vista enquanto o consumidor ganha até 54 meses para pagar a compra. A parceria também envolve as linhas BB Crédito Empresa – Material de Construção e Cartão BNDES, que beneficiam as micros e pequenas empresas, além das condições especiais para as linhas BB Crédito Empresa Material de Construção.

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