Monique Oliveira
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Denúncias revelam que a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, única unidade de atendimento a pacientes de alto risco, enfrenta diversas dificuldades. No último final de semana, médicos que trabalham na maternidade levaram ao conhecimento do Conselho Regional de Medicina informações sobre o quadro de superlotação. Diante disso, a instituição já está se mobilizando e deve convocar nos próximos dias todos os médicos que trabalham na maternidade para saber os problemas que a unidade de saúde está passando.
De acordo com o conselheiro corregedor do CRM, o médico José Rivaldo Santos, o problema da superlotação voltou a acontecer em menos de dois anos. "Uma equipe do CRM já esteve no local e solicitou todas as documentações para serem analisadas, como escala de plantão e outras. Iremos permanecer fiscalizando e apurando todas as denúncias", colocou o médico, acrescentando que o pessoal da neonatologia notificou também a situação no Sindicato dos Médicos de Sergipe.
Por nota, a Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), através da Superintendência da Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL) esclareceu que não existem profissionais faltosos, mas exonerações solicitadas pelos colaboradores e afastamentos por licença médica prolongada, o que provoca alterações na escala da pediatria.
De acordo com o que preconiza o Ministério da Saúde, a Maternidade Nossa Senhora de Lourdes funciona de porta aberta no regime de "Vaga Sempre". Os casos de baixa complexidade são regulados para outras unidades quando existe disponibilidade de vaga.
Ainda segundo informações passadas pelo órgão, a MNSL, referência em alta complexidade e no atendimento a gestantes de alto risco, realizou em 2012, 4.441 atendimentos. Deste total, 2.139 corresponderam aos partos normais e 2.302 às cesáreas.
Com a ampliação da rede hospitalar e a expansão das maternidades no interior, o número de gestantes que faz o acompanhamento pré-natal e realizam seus partos sem deslocar-se para Aracaju, vem aumentando consideravelmente.
A maternidade do Hospital Regional José Franco Sobrinho, em Nossa Senhora do Socorro, por exemplo, foi inaugurada em setembro de 2012 para atender os casos de baixo e médio risco. Somente em janeiro de 2013, foram 115 partos. Além de ampliar em até 400 a capacidade de realização de partos na rede do Estado, o funcionamento da unidade garante o suporte às outras maternidades de Sergipe, principalmente a Nossa Senhora de Lourdes através da regulação médica.
Na maternidade do Hospital José Franco Sobrinho são atendidas as demandas de Socorro, Aracaju e demais unidades da rede, inclusive para casos espontâneos de baixa e média complexidade que chegam à MNSL, que é especializada no atendimento de alto risco.
Além da maternidade, o Hospital de Socorro realiza uma média de sete mil atendimentos mensais em clínica médica, neonatologia, pediatria, obstetrícia e anestesia.
Na maternidade do Hospital Regional São Vicente de Paula, em Propriá, não é diferente. Com uma equipe composta por médicos obstetras, anestesiologistas e médicos neonatologistas, a unidade recebe parturientes do Baixo São Francisco em Sergipe e de alguns municípios alagoanos.
A maternidade do Hospital Regional de Nossa Senhora da Glória, por sua vez, atende aos moradores de Feira Nova, Graccho Cardoso, Itabi, Gararu, Porto da Folha, Monte Alegre, Poço Redondo e Canindé do São Francisco, contabilizando uma média de 5 mil atendimentos por mês. O Hospital de Glória ganhou recentemente mais 16 leitos de internamento na maternidade e centro obstétrico.
Boletim de Ocorrência – A médica Danielle Santos Souza, que atende na Maternidade, registrou queixa na Delegacia Plantonista, informando que no último domingo, 31, às 19 horas, encontrou 54 recém-nascidos e 34 deles sem qualquer assistência médica. No registro policial, a médica informou ainda que, da escala de cinco médicos, apenas dois estavam de plantão.


