Médico agredido no Huse pede demissão

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

O médico agredido durante um atendimento na última sexta-feira, 20, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), pediu demissão da unidade de saúde. A informação foi confirmada na segunda-feira pela direção clínica da instituição.

De acordo com o diretor clínico do Huse, Marcos Kruger, o médico está cumprindo aviso prévio. Segundo relatos de profissionais do hospital, as agressões foram praticadas por um homem que se identificou primeiro como policial e depois como agente penitenciário, pai da criança atendida pelo cirurgião.   
"Ele entrou no hospital com a criança no colo sem passar pela recepção, indo direto para a sala do médico. Deu nome e endereço falsos e depois se identificou como policial. Mesmo após o atendimento, ele puxou o médico pelo colarinho e deu um tapa. Também praticou violência verbal contra toda a equipe, que acolheu a sua filha", relatou.

Ainda segundo ele, o pai da criança ignorou as orientações do médico para que fosse na recepção fazer a ficha. "Ele disse que era policial e que não iria fazer a ficha. Por coincidência, temos uma cirurgiã que é capitã e o cidadão logo em seguida disse que era agente penitenciário e não policial. Acionamos um vigilante e a Polícia Militar não compareceu ao hospital", conta.

Marcos Kruger lamentou o fato ao mencionar que a violência dentro das unidades de saúde está afetando significativamente o quadro de profissionais que prestam assistência ao maior hospital público de Sergipe.
Ele destacou que a equipe médica trabalha apreensiva por conta da insegurança no hospital e que mesmo com algumas ações já adotadas desde a chacina do Huse em abril de 2012, quando dois policiais mataram três pessoas dentro da unidade de saúde, as medidas não avançaram. Ele lembra que o Ministério Público Estadualchegou a entrar com ações, mas sem êxito. "Conseguimos naquela época um posto da Polícia Militar, mas ainda não funciona integrado com o hospital", disse.

O plano de segurança para os hospitais da rede estadual foi tema de reunião realizada na segunda-feira pelo Ministério Público Estadual com representantes da classe médica. O órgão deu um prazo de 15 dias para que a Fundação Hospitalar da Saúde apresente um planejamento de medidas para as unidades de saúde gerenciadas por ela.

De acordo com os promotores Nilzir Soares Vieira e Antônio Forte de Souza Júnior, a Fundação não cumpriu os compromissos de fazer o levantamento da situação e elaborar o plano de segurança, além de fazer a revisão de contratos de prestação de serviço para segurança de pessoas.
Segundo a assessoria de imprensa da Fundação, o plano já está bem adiantado. O objetivo é criar um núcleo formado por policiais que estão na reserva e que tenham interesse em continuar trabalhando para que venham contribuir no combate a violência.

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