Kátia Azevedo
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Após uma manhã de protestos realizada ontem no Calçadão da João Pessoa, no centro de Aracaju, por médicos da rede estadual, profissionais da área da saúde do município de Aracaju farão um dia inteiro de paralisação nesta quarta-feira.
O ato público reuniu várias categorias de servidores da saúde, entre médicos de diversas especialidades, enfermeiros, odontologistas e servidores administrativos da rede. Eles cobram a implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV) e melhores condições de trabalho. De acordo com a categoria, o governo tinha prometido que no final de novembro de 2012 iria encaminhar o projeto de lei já aprovando o PCCV para os estatutários, mas até agora não se manifestou.
O ato público abriu uma ampla agenda de mobilização que a categoria está realizando durante este mês. "São seis anos de lutas e discussões por um Plano de Cargos e Salários que nunca saiu do papel. Estamos cansados de marcar reuniões, queremos a solução do problema", disse João Augusto, presidente do Sindicato dos Médicos de Sergipe (Sindimed-Se).
Ele ressaltou que no final do mês de novembro do ano passado, o governo sinalizou uma negociação que não foi adiante. Na panfletagem, os profissionais cobraram a retomada da mesa de negociações.
José Augusto relata que após o sindicato divulgar a manifestação, foi contactado pelo secretário da Casa Civil, Sílvio Santos, então secretário de Saúde que iniciou as negociações com a categoria.
Uma reunião entre o sindicato, Silvio Santos e a secretária de saúde Joélia Silva Santos foi marcada e, a depender do que for dito, uma nova assembleia será convocada para decidir os próximos atos da categoria.
Outra cobrança dos profissionais é a falta de estrutura de trabalho nas unidades de saúde. Segundo o sindicato, a rede de urgência não está funcionando. Os municípios de Lagarto, Estância, Nossa Senhora da Glória e Propriá eram para ser porta aberta, mas não funcionam e acabam superlotando o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse).
Paralisação – Os postos de saúde de Aracaju terão a presença de médicos reduzida nesta quarta-feira, quando está prevista uma paralisação de 24h da categoria. Também haverá um ato de protesto no calçadão da João Pessoa durante todo o dia.
Durante esta quarta-feira, os pacientes do SUS nos postos de saúde e Programas de Saúde da Família (PSF) não serão atendidos. O atendimento médico na rede municipal ficará restrito aos serviços de urgência e emergência.
Assim como os do Estado, os médicos do município desejam a retomada de negociações que foram encerradas após a troca de gestão de Aracaju. De acordo com a categoria, a atual gestão ainda não se posicionou para as questões reivindicadas.
O piso reivindicado pelos médicos da rede estadual e municipal é de R$ 9.800. A data base já passou e ainda não houve negociação entre os profissionais e a Prefeitura Municipal de Aracaju.
Mobilizações – A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Área da Saúde (Sintasa), que também participou do ato público, juntamente com os servidores decidiu fazer uma série de mobilizações a partir do dia 14 de março, durante 3 horas, em frente à Secretaria de Estado da Saúde, para chamar atenção dos gestores públicos sobre o atual cenário da categoria, sobretudo, em relação à estagnação da implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV).
Esta decisão foi tomada nessa segunda-feira (5), durante a Assembleia Geral dos servidores, realizada na sede do sindicato. Na ocasião, ficou acertada ainda uma paralisação no dia 13 de março, de uma hora, no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), Central de Logística (Celog) e Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, das 8h às 9h.
De acordo com o presidente do Sintasa, Augusto Couto, essas ações servirão para mostrar ao Governo do Estado que os servidores da Saúde não estão com brincadeira. "Tentamos o ano passado negociar pacificamente, mas o fato é que o Governo do Estado enganou a categoria da Saúde", diz. "E o governador ainda disse que 2012 seria o ano da Saúde, mas só fez empurrar com a barriga as negociações com o PCCV, com o Plano de Emprego e Renda (PER), que até então não foi implementado", cobra.


