O Centro de Atendimento ao Menor (Cenam) foi sacudido na manhã de ontem por uma rebelião deflagrada em meio a duas tentativas de fuga. A primeira aconteceu por volta das 8h10, quando cerca de sete internos saíram de uma das alas e conseguiram subir no telhado da unidade, pulando para a laje da Unidade Socioeducativa de Internação Provisória (Usip). Outros 30 internos de quatro alas nas quais estavam os sete rebeldes aderiram ao tumulto, enfrentaram os nove agentes de segurança da Fundação Renascer, arrancaram as portas das alas e quebraram paredes, deixando as celas praticamente destruídas.
A Polícia Militar foi acionada e enviou cerca de 30 militares do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) e do Grupamento Tático Aéreo (GTA). Os militares conseguiram entrar no Cenam, mas também foram recebidos com violência. Os adolescentes lhes atiravam telhas e pedaços de pau. A situação foi logo controlada pelos policiais, que fizeram logo a revista e a contagem dos internos. Constatou-se que dois deles conseguiram fugir e outros três ficaram feridos ao cair do telhado durante a primeira tentativa de fuga, sendo socorridos dentro do Cenam e levados de ambulância ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Dois adolescentes já voltaram à unidade e o terceiro permanece internado em observação.
A segunda tentativa de fuga aconteceu quando os PMs do Choque se preparavam para deixar o Cenam. Outros internos que participavam da rebelião que ainda terminava voltaram a quebrar as paredes com uma das portas de aço. A rebelião recomeçou, forçando a permanência da PM dentro da unidade até por volta das 14h. desta vez, nenhum menor fugiu. Durante os incidentes, as visitas de familiares aos internos da Usip chegaram a ser suspensas, causando apreensão nos internos, mas segundo a Fundação Renascer, a entrada deles foi logo liberada assim que a segurança foi reforçada.
Segundo representantes do Sindicato dos Agentes de Segurança e de Medidas Socioeducativas (Sindasse), os adolescentes se rebelaram para protestar contra as más condições em que vivem no Cenam. Eles reclamaram da superlotação, da má estrutura física e da falta de atendimento médico e social, além da má qualidade das refeições, que por muitas vezes, são servidas já estragadas. Os agentes também reclamaram da falta de estrutura e de segurança para trabalhar. A Renascer negou as denúncias, considerando-as inverídicas e afirmando que a alimentação diária é avaliada por um controle de qualidade rigoroso.
Ainda segundo a fundação, três alas ficaram muito destruídas e foram interditadas para reformas. Os internos destas alas foram redistribuídos dentro do próprio Cenam, que possui hoje 66 adolescentes já sentenciados pela Justiça.


