Militantes acusam prefeito de atirar contra carreata

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um incidente ocorrido à 1h de ontem causou muita repercussão em Macambira (Agreste): uma festa promovida por militantes que comemoravam a vitória do governador reeleito Jackson Barreto (PMDB) foi dispersada a tiros em uma rua da área central da cidade. De acordo com pessoas que estavam no local, três disparos teriam sido feitos pelo prefeito local, Ricardo Alves de Souza (PSD), aliado do candidato de oposição Eduardo Amorim (PSC), contra manifestantes que passavam de moto e carro.

Pelo menos uma pessoa ficou ferida, atingida de raspão em um dos braços e atendida no Hospital Regional Pedro Garcia Moreno, em Itabaiana. Há relatos de que outra pessoa teria sido atingida, mas isto não foi confirmado pela polícia. Duas hipóteses são apontadas para a causa do incidente: o prefeito pode ter reagido a uma suposta provocação dos manifestantes ou teria se irritado com a comemoração.  Uma queixa contra o prefeito foi prestada ao fim da manhã de ontem na Delegacia de Macambira pelo rapaz atingido de raspão, identificado como Geovane de Jesus Santos, 23, o "Vaninho".

Segundo o delegado Fábio Sobral Kano, o denunciante citou o nome de pelo menos seis testemunhas que estavam com ele e estava com o braço enfaixado, mas mostrou fotos do ferimento. "Ele relata que as pessoas estavam passando pela rua da casa do prefeito e fazendo a comemoração, quando o prefeito teria saído da casa e feito os disparos", disse Fábio, ressaltando, contudo, que "essa história ainda carece de investigação" e tem detalhes que ainda não estão claros. Kano encaminhou "Vaninho" ao Instituto Médico-Legal (IML) para fazer um exame de corpo delito, o que pode ser feito hoje.

Ainda conforme o delegado, Ricardo Souza tem foro privilegiado, por ser prefeito, e só pode responder a processos ou inquéritos se houver uma autorização do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE). "Eu vou encaminhar ainda nesta semana os termos de declaração e o boletim de ocorrência para a presidência do Tribunal, que deve analisar e decidir se pode ou não abrir o inquérito. Só depois dessa autorização é que poderemos ouvir o prefeito, ouvir as testemunhas e levantar as outras informações para esclarecer esse caso", explicou.
Na noite de ontem, a reportagem do JORNAL DO DIA telefonou seis vezes para o celular pessoal do prefeito Ricardo Souza, mas o número estava indisponível e o prefeito nem retornou às ligações para responder à acusação.

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