Militantes mantêm ocupação da sede do Iphan em Aracaju

Cerca de 40 estudantes e militantes de movimentos de esquerda estão instalados desde a tarde de anteontem na sede estadual do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), na Praça Camerino, centro de Aracaju. Eles ocuparam o local de forma pacífica e colocaram faixas, cartazes e bandeiras na fachada do imóvel. A ocupação é um protesto contra a fusão dos ministérios da Cultura (MinC) e da Educação (MEC), decidida pelo presidente interino Michel Temer.
Entre os manifestantes, estão alunos de Arquitetura, História, Arqueologia, e outros cursos do Departamento de Artes da Universidade Federal de Sergipe (UFS), além de integrantes do Levante Popular da Juventude, das brigadas Populares e da União da Juventude Socialista (UJS). O grupo afirma que vai permanecer no prédio até que o governo federal decida manter o Minc.
O arqueólogo Moysés Siqueira, um dos líderes da ocupação, disse que a decisão do governo interino tem impactos negativos em Sergipe, principalmente no incentivo às políticas de preservação do patrimônio histórico. "Essa ‘ponte para o futuro’ que está proposta pelo governo Temer não responde aos trabalhadores da Cultura e ameaça diretamente o nosso futuro. Foi um ato político de alijar do trabalhador o acesso à arte, à história e aos bens culturais", criticou Moysés, referindo-se ao governo interino como "golpista".
Além do Iphan de Aracaju, outras repartições do MinC estão ocupadas por militantes em Salvador (BA), Curitiba (PR), Fortaleza (CE), Recife (PE), Natal (RN) e Rio de Janeiro (RJ). "Em todos os locais, os dirigentes do Iphan vem obtendo a cooperação dos manifestantes no sentido de permanecerem em áreas externas, preservarem os acessos e espaços públicos, em especial os tombados, e não afetarem o funcionamento e a segurança das unidades. Não há registro de incidentes ou interrupções das atividades do Iphan, que seguem normalmente", afirma o instituto, em nota.

Compartilhe esta notícia