Kátia Azevedo
Depois de cinco meses esperando a retomada das obras de infraestrutura do Loteamento Marivan, no bairro Santa Maria, os moradores do local realizaram na manhã de ontem um grande protesto cobrando da prefeitura a continuidade do serviço.
Os manifestantes bloquearam a ponte do conjunto Orlando Dantas em um protesto que durou cerca de três horas. Com faixas e queima de pneus, os moradores interromperam o trânsito no cruzamento que dá acesso ao Marivan e bairro Santa Maria, impedindo o tráfego na avenida Alexandre Alcino, um dos locais onde se formou grande congestionamento.
O Corpo de Bombeiros foi acionado para apagar as chamas que tomaram conta da pista. A Polícia Militar e a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Aracaju (SMTT) também estiveram no local.
Inconformados com a situação de abandono das obras, os moradores cobram da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) um posicionamento para o andamento do serviço.
"As obras foram paralisadas desde novembro e a prefeitura ainda não se pronunciou sobre o assunto. Já está chegando o inverno e as ruas estão totalmente sem saneamento básico. Apenas algumas avenidas foram pavimentadas, mas mesmo assim já estão cheias de buracos. Eles fizeram estudo do solo e já tinham comprovado que não havia condições de executar o serviço e mesmo assim fizeram", reclama o líder comunitário Carlito Santos. Ele disse que os políticos sempre falam que o Santa Maria é uma prioridade, mas quando se elegem abandonam os moradores do bairro.
"Outra questão importante é o volume de investimento de recurso federal que já foi licitado para fazer estas obras, que começaram em junho de 2012 e até agora nada ficou pronto. São quase R$ 17 milhões do governo federal. O que está em jogo é a aplicação de dinheiro público", alerta Carlito Santos.
Além da retomada das obras, os moradores também reivindicam a limpeza da canal Santa Maria. "A canal está obstruída com lixo. Esta situação está deixando a população apreensiva com a proximidade das chuvas por causa dos alagamentos", diz Antônio Márcio, morador do Marivan.
"Batalhamos 10 anos para colocar uma piçarra na rua que dá acesso ao Canal Santa Maria e com seis meses a prefeitura suspendeu a obra. Quando chove ninguém sai de casa. O descaso é muito grande", protesta outro morador, Valter Leite. Os moradores disseram que se a prefeitura não se manifestar, irão procurar o Ministério Público.
Após os protestos, a Emurb realizou uma reunião com a Construtora Celi, empresa encarregada pela obra. O órgão justifica que as obras sofreram atrasos em decorrência de ajustes nos projetos originais elaborados pela gestão municipal anterior. Ainda conforme explicações da Emurb, foram feitos estudos que comprovaram que o solo não é adequado para pavimentação, o que inviabilizou a execução dos trabalhos.
As obras projetadas para o Marivan têm o objetivo de evitar o alagamento das ruas, motivo de transtornos e de perdas materiais aos moradores. Os investimentos para aplicação de execução de serviços de drenagem, esgotamento sanitário e pavimentação das ruas do loteamento são provenientes de uma parceria com o Governo Federal, Ministério das Cidades e PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento), com prazo de execução de 365 dias. O propósito é resolver definitivamente os problemas de alagamentos e obstrução de drenagem do Marivan e da avenida Alexsandro Alcino.
A obra é considerada um dos mais importantes trabalhos de infraestrutura que a Prefeitura de Aracaju realiza em parceira com o Governo Federal. "A obra que foi anunciada como a que mudaria a vida de milhares de pessoas que vivem no loteamento Marivan infelizmente continua parada, frustrando muitas famílias que esperam pela sonhada infraestrutura do local", critica o líder comunitário Carlito Santos.
Segundo a Emurb, nos próximos dias será concluído novo projeto para reestruturação do local.


