* Rômulo Rodrigues
A história para se chegar a este dia como um resgate de todo o confronto mais sangrento que levou a classe trabalhador a ter seu dia internacional como resgate de suas lutas renhidas em 1º de maio, sobrevive e se fortalece como um marco permanente de enfrentamento ao Fascismo no mundo tendo como foco derrotar a extrema direita e sepultar, no Brasil, o projeto eleitoral da Faria Lima, do Partido Midiático e dos traidores da pátria nas disputas eleitorais maiores e menores no próximo dia 4 de outubro, lembrando que fez 81 que os Partisans fuzilaram Mussolini.
Portanto, não é razoável aceitar que quem tenha como ganho vender sua força de trabalho; seja médico, engenheiro, advogado, professor, mestre de obra, mestre carpina, administrador, economista, jornalista, desempregado que se vira em aplicativos, operário, servidor público e toda a gama que pertence ao universo diagnosticado não entenda ou, se entender, se faça de doido ou abestado e diga cinicamente que não tem nada a ver.
Está cada vez mais claro que o ápice desta luta no momento tem como epicentro os EAU e o atentado recente em evento que comemorava uma tradição de encontros entre o presidente dos EUA e correspondente que cobrem no dia a dia do que ocorre na Casa Branca, tenha levado ao rés do chão todo o prestígio do pretenso xerife do mundo ao se tornar, quem sabe, uma repetição grotesca de um atentado forjado em 6 de setembro de 2018 que serviu como álibi para Bolsonaro não enfrentar Fernando Haddad em debates e mostrar para ao povo brasileiro a figura asquerosa que sempre foi e que, tudo indica que Trump quer usar a receita passada por aqui, para enganar o povo de lá.
Tudo isso tem cara e jeito de teatro do absurdo que Samuel Beck não aprovaria, pois não passa de uma tragédia enrolada na mortalha de uma farsa, bastando só dar uma olhada no passado e ler o que o jornal O Globo defendia como manchete em editorial em 1962 que a adoção do 13º salário para a classe trabalhadora, conquistado após uma bem articulada greve nacional com uma mentira abissal: o 13º salário vai contra os interesses do empresário e prejudicará a economia do país. Foi o contrário!
Em 1964 apoiou o golpe militar contra o legítimo presidente João Goulart que era odiado pelos empresários, fazendeiros e militares por ter, como ministro do trabalho do governo de Getúlio Vargas autorizado um aumento de 100% no valor do salário mínimo e, 30 anos depois veio o mesmo aparato midiático que sabe o que é Luta de Classes e constrói falsas verdades para mais um massacre à classe trabalhadora e implantar uma ferramenta chamada URV que passou a ser uma nova moeda por um plano chamado Real que chegou com a pompa de ter valor maior que o dólar e rebaixou os salários em 275% e abduziu milhões de trabalhadores com episódios de glorificação em economizar 1 centavo em uma compra, entrando de corpo e alma na globalização.
Na conjuntura, com os EUA em plena decadência abre-se um espaço memorável para se explorar o momento crucial da Luta de Classes e pautar o debate nos mais diversos fóruns em que se reúna a classe trabalhadora priorizando o enfrentamento real e claro destacando a defesa da soberania nacional com a anulação da venda da mineradora em Goiás e a reestatização de tudo que foi dado de mão beijada ou em troca de joias do monopólio da Petrobras, com bandeiras como, não vai ter anistia e fim da escala 6×1.
O jornal O Globo e toda sua rede de concessões públicas sem monitoramento defendem abertamente que o Estado não regule e não tenha leis de proteção aos direitos dos trabalhadores resgatando, desavergonhadamente, a velha cantilena de Delfim Neto de que é preciso primeiro deixar o bolo da mais valia crescer para depois dividir como está na música de Luiz Gonzaga; esse pedaço é do patrão, esse é do trabalhador e esse é do patrão; esse é do patrão, esse outro é do patrão e esse menor é do trabalhador; esse agora é do patrão, esse outro também é, os outros três são do patrão e se sobrar algum, divide entre patrão e trabalhador.
Em suma, defendem a pauta de Flávio Bolsonaro que é: 1) o Brasil exportar quase de graça suas riquezas e importar submissão e dependência; 2 vender a mineradora que explora minerais críticos raros, pelos amigos de Ronaldo Caiado; 3) que o C.V e o P.C.C aliados da família Bolsonaro sejam declarados como terroristas para justificar a ocupação das forças militares estadunidenses do nosso território; 4) implantar no Brasil um movimento que cresce nos EUA, que questiona o voto feminino, puxado por igrejas evangélicas reformadas, que quem decide o voto é o marido e é encampado pelo governo do Trump; 5) encampar a ideia absurda do governador do Mato Grosso, seu aliado, de acabar com o SAMU e transferir as suas atribuições para o corpo de bombeiros; 6) fim do PIX porque esta invenção genuinamente brasileira desenvolvida pelo Banco Central do Brasil é prejudicial aos cartões de créditos; 7) implantar escolas cívicas militares para que a criançada pobre aprenda só a obedecer e não desenvolva censo crítico, que é coisa só dos filhos dos ricos.
Enfim, é um absurdo atrás do outro e é bem provável que o Analfabeto Político de Bertold Brecht já esteja envergonhado ao ver a que ponto chegou a sua negação da política e falsa neutralidade.
* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político


