Novembro termina mostrando um Brasil grande

* Rômulo Rodrigues

A vitrine que refletia em todas as imagens o espelho das águas amazônica foi suficiente para afogar a arrogância do chanceler alemão Friedrich Merz ao debochar do povo e das tradições culturais da região e exigir que o presidente Lula terá que aceitar que a Alemanha é um dos países mais lindos do mundo.

A grande utilidade da ofensa foi ter mostrado que o nazismo ainda persiste lá fora e seus espantalhos sobrevivem no Brasil indicando serem tão perigosos quanto os monstros que deram vida a um ser repugnante chamado Adolf Hitler.

Aqui, a extrema direita aplaudiu, a mídia patronal ignorou, mas a deputada federal alemã Lisa Brum levantou a voz no parlamento e cobrou retratação do premiê colocando-o ao rés do chão dizendo que ele não está à altura de um líder mundial como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em seguida, sobe a voz do ministro Fernando Haddad dizendo que vamos ter a menor inflação e o menor desemprego dos últimos 4 anos, que o crescimento da economia vai ter a maior taxa média em 10 anos, com a bolsa subindo e o dólar caindo, mesmo o Brasil estando entre os 10 países mais desiguais, o índice Gini que mede as desigualdades, aponta que o Brasil, em breve, sairá desse índice, pela aprovação do projeto de lei que isenta os de baixo do IR e passa a cobrar dos de cima.

Para coroar o último fim de semana do mês veio o desastre da tentativa de fuga do condenado Jair Bolsonaro, motivada por um maracatu mal ensaiado pelo filho senador Flávio e o deputado Nikolas Ferreira, deixando a mídia patronal com a cara no chão e, a pergunta é; como que vocês sendo donos das narrativas e do dinheiro tiveram a desfaçatez de impor ao país um ser humano tão ignóbil, descerebrado, mau caráter e, o que é pior, sem honra, como ficou demonstrado na cena rastejante em que pediu para o ministro Alexandre de Moraes que aceitasse ser candidato a vice-presidente da República em uma chapa encabeçada por ele?

Senhores generais golpistas, honra teve até seus segundos finais o poeta espanhol Federico Garcia Lorca, fuzilado pela ditadura do general Francisco Franco, aos 38 anos, ao não aceitar a colocação da infame venda nos olhos, tradição nos criminosos atos e com heroísmo recitou um poema até tombar sob os tiros de fuzil.

Honra canalhas da Faria Lima, do agronegócio, das pregações bíblicas, dos porões da ditadura de 1964 que financiaram e deram suporte para derrubar uma presidenta, por ser mulher e honesta, para entregar o governo a um crápula chamado Michael Temer e juntos com a ORCRIM da lava jato e TRF-4, impedirem Luiz Inácio Lula da Silva de disputar e ganhar a eleição de 2018, impingindo-lhe 580 dias de prisão em uma cela da PF de Curitiba e ante a oferta de prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica, retrucou; não sou papagaio nem bandido para usar tal equipamento; não troco minha dignidade pela minha liberdade e fico aqui até provar que Sergio Moro é um juiz parcial.

O andar da carruagem da história trouxe todas as provas do que Lula disse sobre o hoje quase banido juiz que trocou o que achava ter juntado por uma duvidosa carreira política e que hoje amarga uma merecida decadência.

A realidade está provando que o castigo ainda vai ser maior e todos que construíram aquela gang vão chegar ao ponto de não poderem ir a qualquer ato público no carnaval de 2026, porque não aguentarão o povo cantando e sambando ao som do Samba Enredo dos Acadêmicos de Niterói pelo país a fora.

Agora, no pós COP30, quando a parte podre da sociedade se escandaliza com os R$ 380 milhões em investimentos para mostrar ao mundo esta nova potência, que brotou com a Conferência do Clima, os verdadeiros patriotas têm como esfregar nas caras deles, mais de R$ 50 bilhões arrecadados para o Fundo de defesa da Amazônia, numa relação de R$ 131,58 arrecadados para cada R$ 1,00 investido, demonstrando que a burrice deles é diretamente proporcional à da família Bolsonaro.

Na sequência o presidente Lula anuncia para breve um acordo entre MERCOSUL e União europeia lá em Johanesburgo na cúpula do G-20 que vai ser feito no Brasil até o final de 2025, vencendo uma paralisia de 20 anos, numa jogada de mestre, que vai fechar um acordo comercial de US$ 22 trilhões, quantia maior que o PIB dos EUA.

Justo na última semana em que o poder executivo se agigantou e está se impondo nas conjunturas política e econômica, o poder judiciário se impõe com igual intensidade mandando, pela primeira vez na história deste país, generais de 4 estrelas para a cadeia por tentarem repetir Golpe de Estado, como já fizeram tantas vezes, agora começam a cumprir longas e merecidas penas, pelos crimes praticados contra a pátria.

O desafio para que o Brasil encerre o ano como uma nação soberana e escreva para sempre na história que o poder é da sociedade civil organizada, construtora e dirigente do Estado Democrático de Direito e imponha ao poder legislativo que abandone, por uma maioria deletéria, o infame papel de congresso inimigo do povo.

* Rômulo Rodrigues, sindicalista aposentado, é militante político

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