1º dia termina sem escolher o papa
Renata Giraldi
Enviada Especial da Agência Brasil/EBC
Vaticano – O primeiro dia de votações ontem do conclave, que elegerá o sucessor do papa Bento XVI, acabou sem consenso. A fumaça escura, indicando a ausência de decisão, foi vista pela chaminé da Capela Sistina por volta das 19h40 (15h40 de Brasília). O cálculo dos vaticanistas é que o conclave dure, no mínimo, três dias e, no máximo, 11.
A Praça São Pedro lotou no final da tarde para o início da noite. Fiéis, religiosos e curiosos das mais diversas nacionalidades ignoraram a chuva fina que caía e aguardaram para ver a cor da fumaça. A terça-feira foi um dos dias mais frios da semana, registrando 8 graus Celsius.
O resultado da votação de ontem foi divulgado – por meio apenas da fumaça – cerca de duas horas depois de os cardeais se reunirem no conclave. Os 115 cardeais participaram, inclusive, o italiano Antonio Maria Vegliò, de 75 anos, que durante a missa da manhã passou mal e foi socorrido.
A previsão é que hoje ocorram votações pela manhã e pela tarde. A expectativa é que por volta do meio-dia seja vista uma fumaça branca, no caso de eleito o papa, e escura, se as divergências se mantiverem. Uma segunda fumaça deverá ser emitida pela chaminé no começo da noite indicando a decisão do conclave.
Sete séculos – O conclave que começou ontemé o de número 75, desde que a eleição para papa foi instituída, em 1274, no século 13, no pontificado de Gregório X. Nos primeiros 1.200 anos após o nascimento de Cristo, o sucessor de São Pedro era o bispo de Roma, que era escolhido pelo clero em um outro formato, diferente do sistema atual.
As mudanças foram promovidas lentamente até Gregório X estabelecer a realização de uma assembleia de cardeais, denominada conclave. Em 1268, antes de o conclave ser instituído como sistema de eleição, os cardeais levaram dois anos e nove meses para escolher o papa. Sem acordo, na época, os cardeais ficaram a pão e água até chegarem a um consenso.
Depois, em 1621, Gregório XV introduziu a obrigação do voto secreto e escrito. Em seguida, foi instituída a obrigação de segredo sobre o que ocorreu durante o conclave. Nos anos seguintes, houve série de mudanças.
A legislação atual segue a Universi Dominici Gregis, que é de 1996. Orientado pelo papa João Paulo II, o documento diz que o conclave deve ser realizado na Capela Sistina e que os cardeais devem morar na Casa de Santa Marta.
Cardeal decano pede que todos cooperem para a unidade da Igreja
Vaticano – Com a Basílica de São Pedro lotada, o cardeal emérito Angelo Sodano destacou a necessidade de o sucessor do papa emérito Bento XVI atuar em defesa da unidade da Igreja Católica Apostólica Romana. Segundo ele, é importante lembrar que, até mesmo na unidade, é necessário respeitar a diversidade, como ensinou São Paulo. Ele pediu a colaboração de todos em busca da unidade da Igreja.
"São Paulo explica que na unidade da Igreja existe uma diversidade de dons, segundo a multiforme graça de Cristo, mas essa diversidade está em função da edificação de Cristo", ressaltou dom Sodano. "Todos nós somos chamados a cooperar com o sucessor de Pedro [o papa eleito], fundamento visível de tal unidade eclesial."
O apelo de dom Sodano ocorre no momento em que a Igreja sofre com as denúncias de casos de pedofilia, abuso sexual e desvios de recursos no Banco do Vaticano. O clima de desconforto aumentou ainda mais com a decisão de Bento XVI de renunciar, abrindo a discussão sobre a necessidade de promover reformas na instituição.
Dom Sodano também destacou que o papa eleito deve trabalhar pela justiça e paz mundiais com amor: "Uma obra em nível mundial". "Meus irmãos, rezemos a fim de que o Senhor nos conceda um pontífice [papa] que realize com coração generoso tal nobre missão. É o que Lhe pedimos", ressaltou dom Sodano.


