Contra o reajuste de 8,8% na passagem do transporte coletivo, integrantes do ‘Movimento Não Pago’ realizaram na noite de ontem mais uma manifestação em Aracaju. Contribuindo para a formação de longo congestionamento, dessa vez o ato público foi realizado de forma pacífica na avenida Adélia Franco e no Terminal de Integração do DIA. Para regularizar o fluxo de veículos no local, agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT/AJU) foram acionados, mas pouco conseguiram êxito no serviço. Impacientes, muitos motoristas criticaram a série de manifestações realizadas na capital sergipana nos últimos 15 dias.
Para o empresário Juliano Fontes, além de contribuir para um caos ainda maior no transporte de Aracaju, as mobilizações interferem no aquecimento econômico do estado. Segundo Fontes, todos esses atos deveriam ser promovidos nas proximidades da residência dos gestores públicos que não dialogam com os trabalhadores. "Sou totalmente a favor de manifestações, porém que sejam bem articuladas e interfiram unicamente no dia-a-dia do determinado gestor. Eu chego atrasado no trabalho, os funcionários também acabam se atrasando e isso, num passo de formiga, atrapalha o crescimento de todo o estado".
Contrário aos argumentos do empresário, o estudante Márcio Góes lamentou a postura adversa e avaliou os atuais problemas do Brasil a esse tipo de argumento. Questionado sobre o futuro das mobilizações, o acadêmico foi enfático na resposta: "Vamos continuar parando a cidade até o prefeito João Alves Filho entender que esse aumento é abusivo e não procede com a qualidade do serviço que nos é repassado. Desejamos muito o apoio inclusive das pessoas que possuem carro, mas alguns, a exemplo deste empresário, não estão nem aí para os interesses do povo", lamentou.
Entre as principais reivindicações dos manifestantes, estão: redução da tarifa de ônibus, de R$ 2,45 para o preço anterior, R$ 2,25; qualificação e ampliação da frota de veículos; melhoria e mais segurança em abrigos de ônibus e terminais de interligação, além da valorização profissional dos motoristas e cobradores. "Os vereadores, donos de empresas e o próprio prefeito disseram que com o reajuste, o sistema iria melhorar para todos. O reajuste foi concedido e continuamos na mesma, ou pior, estamos afundando. Sexta-feira os servidores da Viação Cidade de Aracaju e São Cristóvão pararam os serviços devido ao atraso salarial. Com João, não registramos nenhum avanço e a volta da ditadura", alegou a estudante Gabriela Moura.
SMTT – De acordo com o supervisor de trânsito capitão J. Luiz, as câmeras de monitoramento do órgão municipal contribuem para que os agentes possam se mobilizar para a determinada via bloqueada em pouco tempo. "Estamos atentos a todos os movimentos e dispostos a tentar regularizar as vias. Nossa missão não é entrar em conflito com os manifestantes, ou sequer deter o ato, mas sim viabilizar maneiras emergenciais para que os motoristas e motoqueiros não sejam ainda mais prejudicados com a mobilização nas ruas e avenidas de Aracaju".


