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O cagão


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Publicado em 27 de março de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Lelê Teles
 
MENEDRÉK VAN SZUKSÉGEM
Quatro dias após o esseteéfe confiscar o passaporte de Jair, o cagão correu pra embaixada da Hungria em busca de refúgio.
Temia ser preso e, num típico cagaço, escondeu-se debaixo de uma cama húngara.
O New York Times mostrou as imagens do sujeito entrando na repartição estrangeira, ombreado por dois seguranças.
Mas o grande furo foi dado por Marcelo Adnet, que conseguiu, com ajuda da inteligência artificial, extrair o áudio das imagens.
O humorista fez questão de divulgar em suas redes.
Assim que o embaixador abriu o portão, Jair, apavorado, clamou no idioma do seu interlocutor: “Menedrék van Szükségem”. 
O húngaro do sujeito era tão bom quanto o português do diplomata.
O representante de Budapeste, sabendo que ninguém bate na porta de uma embaixada, na calada da noite, se não tiver com o cu na mão, entendeu logo a mensagem.
Botou o sujeito pra dentro.
Na repartição das estranjas, Jair ficou mocozado até que os seus bajualdores lhe assegurassem que ele não seria preso.
Mandaram-lhe uma mensagem afirmando que o capa-preta seguiria os trâmites formais e que só o prenderia depois do trânsito em julgado.
Insolente, assim que saiu debaixo da cama ele foi atrás do Malafaia, clamando em português para que o empresário da fé lhe ajudasse a botar gente na rua.
Sobre a fuga ele nada disse e nada diria se não fosse desmascarado.
Gabeira foi o único bolsonarista que teve coragem de afirmar que se tratava de uma fuga mesmo e que fugir é um direito de todo criminoso amedrontado.
Já os filhos de Jair, e o rebanho de midiotas, alegam que o covardão foi à embaixada apenas para visitar um amigo.
Conversa mole.
Amigos, em pleno feriado de carnaval, visita-se em casa e não no local de trabalho, ainda mais fora do expediente.
Embaixadores têm residência, eles não moram na embaixada, que não é lugar de bate papo.
E nem é rbnb.
Sabemos que Jair dormiu duas noites seguidas na repartição das estranjas.
O que foge completamente da normalidade.
Se Jair tinha assunto de geopolítica para tratar com o estrangeiro, ele deveria fazê-lo respeitado o expediente.
Chegue às oito e saia às dezoito.
Nisso já dá pra conversar sobre a guerra na Ucrânia, o massacre em Gaza, a entrada do Brasil na segunda guerra mundial, a guerra do Paraguai, a escravização dos africanos, o genocídio dos indígenas e a segunda vinda de Jesus à terra.
Agora, imagine o tamanho do repertório de Jair, numa conversa com um embaixador sobre geopolítica, que começa na noite do dia 12 e só termina na tarde do dia 14.
Nem com a Luciana Gimenez ele teve tanto assunto.
Vamos deixar de melindres, minha gente boa.
Trata-se de uma clara obstrução de justiça.
É preciso colocar, imediatamente, uma bola de ferro no calcanhar desse sujeito.
Ou se faz isso, ou se passa a impressão de que o cagão é Alexandre. 
Palavra da salvação.
 
* Lelê Teles é jornalista, publicitário e roteirista
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