As motivações do governador Belivaldo Chagas podem até ser questionadas. O seu lado na peleja entre a Justiça Federal em Sergipe e o empresariado local, no entanto, é incontestável. Ele fará tudo a seu alcance para retomar o plano de abertura econômica, o quanto antes.
Neste particular, até agora, o comportamento do governador dava margem a dúvidas. Desde o início da pandemia, o Governo de Sergipe avançou e recuou mais de uma vez, ora atendendo aos apelos dos empresários, sem qualquer amparo técnico, ora dando atenção às advertências dos especialistas. A ambiguidade acabou. Aparentemente, Belivaldo se decidiu de vez.
O governador presidiu ontem o Comitê Gestor de Emergência (CGE) para tratar dos dados da pandemia no estado e o Plano de Retomada da Economia em Sergipe. A ata da reunião será anexada ao recurso judicial a ser impetrado pela Procuradoria Geral do Estado de Sergipe, visando a retomada da primeira fase do Plano, contrariando decisão da Justiça Federal.
Sob o ponto de vista sanitário, a convicção do governador parece temerária. Nos Estados Unidos, por exemplo, onde a retomada da economia foi colocada em prática precocemente, à revelia do crescimento do contágio, a realidade cobra um preço alto, após ter sido ignorada. O número de óbitos cresceu muito. Governadores americanos já estão voltando atrás.
Não há remédio sem dor contra o Covid-19. Vacina também não. Toda ação, contudo, gera consequência. A estratégia adotada pelo Governo de Sergipe para minimizar os efeitos perversos do vírus na economia local pode se voltar contra toda a população.


