O urubu e a raposa em direções opostas

Agora mesmo, estamos no meio de uma dessas “janelas” e alguns clubes encheram a caçuá de novos nomes. Só o tempo dirá se são ouro ou bugigangas

 

* Antonio Passos

 

No novo modelo empresarial que comanda o futebol, em determinados períodos chamados de “janelas”, as torcidas roem as unhas esperando novas contratações.
Agora mesmo, estamos no meio de uma dessas “janelas” e alguns clubes encheram a caçuá de novos nomes. Só o tempo dirá se são ouro ou bugigangas.
Curiosamente, por causa de circunstâncias políticas internas, o time apontado hoje como o mais rico do Brasil até agora foi modesto nas compras.
Sim, estou falando do Flamengo. A eleição de um novo presidente em dezembro colocou o clube da Gávea de pernas pro ar e atrasou as negociações.
Contudo, e por incrível que possa parecer, o rubro-negro carioca está fazendo limonada do limão. Aproveitou a defasagem para limpar a casa.
Começou fazendo descartes tão importantes quanto novas contratações. Dispensou o decorativo zagueiro David Luiz e o problemático Gabigol.
Pouco depois, deu passe livre para a saída de mais cinco jogadores, entre os quais o centroavante Carlinhos, por quem toda a nação torcia que desse certo, mas não deu.
Ao dispensar atletas que estavam rendendo muito abaixo das necessidades de um time que quer disputar títulos dentro e fora do Brasil, o clube enxuga a folha de pagamentos, mantém a saúde financeira e abre espaço para novas contratações, sem extravagâncias.
Um exemplo oposto talvez seja o Cruzeiro. O clube mineiro foi com muita sede ao pote e contratou um mundo de gente.
Entre os quais, Gabigol, que até agora só fez por lá o mesmo que fez durante os anos de 2023 e 2024 no Flamengo: fechação.
Como torcedor do urubu, confesso: senti um confortável alívio com o tchau de Gabigol e uma pontinha de pena dos torcedores da raposa.

 

* Antonio Passos é jornalista

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