Milton Alves Júnior
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Na manhã de ontem as obras de contenção na Praia Formosa (13 de Julho), em Aracaju, foram reiniciadas pela terceira vez em menos de um ano após uma nova liminar oficializada pelo poder judiciário. Com a nova autorização, o número de operários destinados a trabalhar no serviço foi ampliado e a perspectiva por parte da empresa responsável pela obra é que a conclusão seja feita em um prazo máximo de 60 dias. Durante o mês de dezembro a Prefeitura de Aracaju, após ser informada de uma nova interdição, informou que a obra estava sendo realizada de forma emergencial e acelerada. Até o reinício das atividades mais de 75% do serviço já havia sido concluído, restando apenas a etapa de aterro de parte do rio Sergipe e implantação do paisagismo.
A nova determinação judicial continua dividindo opiniões entre os aracajuanos que diariamente transitam pela região, ou fazem parte de grupos de defesa do meio ambiente. Para o professor de língua estrangeira Alfredo Dias, os constantes transtornos causados pela obra fazem com que os próprios sergipanos que são contra esse tipo de obra passem a ‘relevar’ os possíveis danos ambientais. "De que adianta a gente querer brigar com o poder, se o próprio poder municipal encontra várias brechas na nossa legislação que acabam permitindo o andamento da obra. Acredito que se fizessem uma pesquisa, mais de 70% da população seria contra", declarou.
Preocupados com o futuro das águas do rio após o aterro de 40 metros na margem, alguns moradores da Atalaia Nova, município da Barra dos Coqueiros, torcem para que a obra possa ser embargada em definitivo. Na tarde de ontem o Jornal do Dia conversou com alguns moradores do município e foi informado de um possível ato público a ser realizado ainda nesta primeira quinzena de 2014. "Esse problema hoje enfrentado lá pelos nossos vizinhos se estenderá aqui para nós e vai nos causar graves problemas porque não temos condições financeiras de nos proteger, nem a prefeitura daqui iria fazer o mesmo que o prefeito da capital", afirmou Elison dos Santos.
Em virtude da preocupação dos habitantes, a Câmara de Vereadores da Barra dos Coqueiros vem se manifestando contra a obra da balaustrada. Há dez dias um grupo de parlamentares participou de uma reunião extraordinária com dirigentes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/SE), seccional Sergipe, com o objetivo de conquistar o respectivo apoio. A resposta da ordem só deve ser divulgada após o próximo dia 15 quando o conselho retorna do recesso de final de ano.
Em contrapartida aos votos de reprovação, há quem diga não suportar mais os congestionamentos causados pelo desvio da obra. Esse é o caso da farmacêutica Graziele Ferreira que reside na 13 de Julho. "O trânsito em nossa cidade já é um caos nos horários de pico, com esse desvio ficou ainda pior. Não gostaria que essa obra fosse promovida desse jeito, tendo que aterrar parte do Rio Sergipe, mas se estamos observando que nada vai mudar a ideologia de João Alves, então que a justiça deixe logo essa obra ser concluída de uma vez por todas", disse.


