Obra de engenharia não resolve problema na 13

Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br

Observações do Laboratório Geo, Rio e Mar, da Universidade Federal de Sergipe (UFS) alertam para os cuidados que se deve ter com o projeto de engenharia que será feito para solucionar o problema da destruição da balaustrada e as rachaduras no asfalto do bairro 13 de Julho, em Aracaju.

Segundo o professor e geólogo Luiz Carlos Fontes, para que um projeto seja desenvolvido para o local é necessário que se faça um processo que envolve estudo do rio e do mar.
"A dinâmica do que está acontecendo no local e suas causas precisam ser analisadas e o projeto de engenharia precisa contar com a adequação ambiental", alerta ele. Por enquanto, não se fala em projeto ambiental, apenas no de engenharia.
O projeto de contenção das águas do rio Sergipe na 13 de Julho continua em análise na Administração Estadual do Meio Ambiente. A expectativa é que a aprovação ocorra nos próximos dias.

De acordo com o professor, se o projeto que será aplicado no bairro 13 de Julho for pouco eficiente, o problema pode voltar ainda mais grave e até em outros locais da cidade. Luiz Carlos conta ainda que não existe estudo no laboratório da UFS para a localidade, apenas observações do comportamento das marés no estuário do rio Sergipe.
"Temos um laboratório focado no setor costeiro. Para fazer um estudo desse porte, precisamos de recursos, pois envolve muitos custos. Mas nossa obrigação é chamar a atenção para que a situação seja resolvida de forma correta".

O problema do que ocorre atualmente, de acordo com Fontes, não tem no local a sua causa. "O que está acontecendo é consequência de um projeto aplicado no bairro Coroa do Meio e na Barra dos Coqueiros. Com as alterações que realizaram nessas localidades houve uma mudança ambiental que agora afeta o bairro 13 de Julho", explica.
Ele chama a atenção também para a morte da vegetação do mangue do mesmo bairro. "O mangue está sendo sufocado por areia trazida por ondas. Tudo faz parte de um mesmo processo".

Balaustrada – Ondas fazem com que a água infiltre na balaustrada e danifique a estrutura da balaustrada e pista do bairro 13 de Julho. O problema está maior do que se imagina, pois já atinge inclusive o Iate Clube de Aracaju. "Será que um engenheiro fará um projeto observando o que está ocorrendo com a natureza do local?", questiona Fontes.

Nos últimos 10 anos, a força das marés na costa sergipana destruiu áreas ocupadas pelo homem, como as casas de veraneio na praia do Saco, em Estância e a escadaria da praia da Caueira, feita para conter as ondas na orla da cidade de Itaporanga D’Ajuda. "Esse último é um péssimo exemplo de projeto que não deu certo Lá, o plano não foi calcado na dinâmica do problema, o que assistimos agora é a destruição do que foi implantado".

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