Cerca de 45 estudantes universitários que voltavam da capital viveram instantes de pânico ao final da noite desta segunda-feira no povoado Mangue Grande, em Boquim (Centro-Sul). O ônibus que os transportava até o município foi invadido e assaltado por oito criminosos armados. O grupo estava escondido em um descampado na estrada de acesso ao povoado e tentou interceptar um comboio de quatro ônibus que seguia em direção a Boquim.
De acordo com o relato de um dos motoristas, os bandidos ficaram no meio da pista com pistolas e revólveres na mão, mas conseguiram entrar no primeiro coletivo, onde renderam o motorista e todos os passageiros. Os reféns foram obrigados a entregar bolsas, carteiras e mais de 20 telefones celulares. Em seguida, os criminosos fugiram. Eles tinham tentado entrar em outro ônibus do comboio, mas o motorista conseguiu escapar desviando o veículo para o acostamento, fazendo menção de atropelá-los.
Os estudantes reclamam dos assaltos que vêm acontecendo nos últimos dias em estradas da região, incluindo a Rodovia Lourival Baptista (SE-70), principal acesso às cidades do Centro-Sul. Um dos casos aconteceu na noite da última quinta-feira, quando um ônibus com estudantes de Lagarto foi parado por quatro bandidos armados com escopetas calibre 12, que aproveitaram a passagem do coletivo em um redutor de velocidade, próximo ao acesso à cidade de Salgado. Eles renderam todos os ocupantes, ameaçaram as vítimas e fugiram levando celulares, relógios e outros pertences.Os crimes foram registrados nas delegacias locais e já começaram a ser investigados pela Polícia Civil.
O caso ganhou destaque pelo desabafo escrito por um universitário de Lagarto, que culpou o governo estadual pela situação de insegurança dos estudantes do interior que viajam todos os dias para estudar em Aracaju. “Somos batalhadores, enfrentando uma viagem, que para mim está mais ou menos uma hora e meia, para outros bem mais tempo, que às vezes enfrenta uma labuta diária de 8 ou 10 horas, que às vezes segue para suas instituições, sem se alimentar. (…) Até quando a sociedade vai ser penalizada por esses marginais? Quando é que nós veremos uma posição do Governo do Estado com relação à segurança? (…) Na verdade, na verdade nós universitários só temos um protetor que poderá olhar por nós, que é Deus, e nesse a gente pode confiar, porque nos homens da terra está cada dia pior, como diz a cantiga da perua”, escreveu ele, em tom indignado.


