Rian Santos
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Ainda não os surpreendo no meio da rua, à luz do dia. A julgar pelos lapsos recorrentes na coleta de lixo, contudo, os ratos infestam a cidade.
Falo de Aracaju, sob o comando de Emília Corrêa. Com o pretexto de suposta economia financeira, a primeira mulher à frente da capital sergipana contratou um serviço porco, deficitário. O resultado demora a ganhar contornos de notícia.
Folheio jornais, consulto sites noticiosos e colunas de opinião. Não encontro uma vírgula sobre nova e prolongada interrupção do serviço. Desde o último sábado, entretanto, o lixo tomou as calçadas e as portas das casas em meu pedaço da Atalaia. A rua onde eu moro, tão perto da orla, o maior cartão postal da cidade, já fede.
Para ser justo, divulgou-se a ameaça de uma paralisação “temporária” motivada por pendências trabalhistas, última sexta, seguida das desculpas esfarrapadas da administração municipal. Mas a própria Emsurb admite a precariedade da coleta sob a guarda da prefeita Emília. O ente municipal alega que a empresa Renova já foi notificada mais de dez vezes por falhas recorrentes na execução dos serviços, sem mencionar qualquer sanção. O contrato com a prefeitura de Aracaju vigora há pouco mais de três meses.
Bichos escrotos proliferam, desde o escuro fedorento dos esgotos, como num refrão de rock FM. Eles têm pelos, patas, rabo, focinho. A imprensa chapa branca da aldeia – quase toda a imprensa do lugar, aliás -, não os enxerga, não os reconhece.


