PARA AMORIM, DIÁLOGO GARANTIU O PROINVESTE

Chico Freire
chicofreire@jornaldodiase.com.br

Em entrevista, o senador Eduardo Amorim (PSC), destaca que a provável aprovação do Proinveste pela Assembleia Legislativa deve-se a abertura do diálogo promovido pelo governo do Estado, "a transparência na aplicação dos recursos e a amarração na execução das obras". Com relação a futuros entendimentos políticos, o senador Amorim deixa claro ser impossível um novo acordo com o grupo comandado pelo governador Marcelo Déda (PT). "Entendimento político não, mas entendimento para os interesses de Sergipe".
Confira os principais pontos:

Jornal do Dia – Rejeitado no ano passado pela bancada de oposição, em 2013 depois de alguns entendimentos o senhor acredita que desta vez o projeto do Proinveste será aprovado na Assembleia Legislativa?
Eduardo Amorim – Para você ver como é fácil e muito fácil. Uma única vez fomos chamados para dialogar, e do diálogo está surgindo o entendimento, ou seja, houve muitas agressões, muitas coisas que as pessoas falavam muito em 2014, 2015, 2030. O que se pediu o tempo todo, nós da oposição, era a transparência necessária, era mostrando que o estado tem sido endividado ano a ano principalmente de 2008 para cá.

Sergipe devia em 2008 cerca de R$ 829 milhões, hoje beira os R$ 3 bilhões, e com esse empréstimo vai ultrapassar a casa do R$ 3 bilhões, então, é preciso mais transparências. Que obras são essas? Quantos empregos vão gerar? Quantos empregos foram gerados com todos esses empréstimos que se tomou até hoje? Então, se vê que o diálogo é essencial em qualquer relação e também na relação política. Na relação política é necessário transparência, principalmente quando a gente lida com que é público. Na Suécia, o primeiro País do mundo a implantar a lei da transparência, isso em 1776, e o Brasil adotou desde o ano passado essa lei e é isso que nós exigimos e cobramos o tempo todo, e aqui a gente vê nascer um consenso em torno dessas obras que são obras estruturantes para o nosso estado.

JD – A principio, a rejeição do Proinveste foi atrelada as eleições de 2014. O que tem de verdade nisso?
Eduardo – Nada, absolutamente nada, tanto é que quando fomos chamados para o diálogo, cedemos ao diálogo e em nada se exigiu, em nada se falou nesse diálogo, e quando estive com o governador sobre 2014, 2015, 2016, então, mais uma inverdade dita por muitos e às vezes dita com violência, com agressões pessoais e com os deputados.

Outra coisa, nós não somos torcedores e nem queremos e nem praticamos a politica do quanto pior melhor, de forma nenhuma, o quanto melhor, melhor. Então, o que pedimos o tempo todo era transparência e que os projetos tivessem no texto da lei que obras estruturantes eram essas para discutir, pra debater, e entendo que isso é a essência da democracia, é a essência da transparência e é a essência do zelo com o que é público, porque vamos pegar essa conta, o povo de Sergipe vai pagar essa conta, desse e de outros empréstimos que foram tomadas ao longo das próximas décadas, não de um ou dois anos.

JD – O que foi que a oposição pediu ao governo que o governo atendeu e que não constava do projeto anterior?
Eduardo – Tem várias obras estruturantes, avenidas, tem estradas, mercados, a exemplo do mercado de Lagarto, ou seja, tem várias obras que a gente entende que são estruturantes e que são importantes.

JD – Isso contempla o anseio da oposição?
Eduardo – Não, contempla na medida que a coisa passa a ser mais transparente, na medida que vai ter no texto da lei que essas são as obras que estarão realmente amarradas. Então, a gente entende que foi isso que foi pedido o tempo todo, embora alguns dissessem que não, e hoje se ver que o tempo e o diálogo estão se encarregando de tornar tudo muito mais transparente, e o que lutamos o tempo todo foi com muita responsabilidade e com muito zelo com aquilo que é público, por não ser coisa sem dono, principalmente num País como o nosso, que quem mais paga imposto é quem menos ganha.

JD – Já se discute as eleições de 2014. O senhor não afirma que pode vir a ser candidato ao governo do estado como também não nega que não será. Como é que estão os entendimentos do PSC com o prefeito de Aracaju, João Alves Filho (DEM). É possível compor com o DEM para 2014?
Eduardo – Nunca disse a ninguém, nunca comentei e ninguém nunca ouviu de mim e nem da minha boca falar sobre 2014. Eu acho que Deus é o senhor dos nossos destinos, mas é verdade que são as nossas atitudes que constroem o presente e que ajudam a construir também o futuro, mas eu entendo como conduta de vida e como princípio de vida de que o futuro a Deus pertence, e tudo na hora certa e no momento certo. Sei que já existe candidato nas ruas, em plena campanha, divulgando, trabalhando, mas isso é natural e é da democracia e cada um age como quer agir. Conto com a relação com o prefeito para o bem e tenho conversado com doutor João frequentemente, temos tratado de algumas coisas em Brasília, alguns interesses para a nossa Capital e naquilo que a gente puder ajudar na estruturação farei, como eu faço com qualquer outra cidade do interior. Lembramos que a capital é a cabeça do nosso, mas o principio de agir é o mesmo.

JD – O grupo liderado pelo senhor deu apoio à candidatura de João Alves nas eleições de 2012, mas não compõe o governo. Por que não faz parte do governo?
Eduardo – Nunca fizemos e nunca demos o nosso apoio barganhando e nem impondo, de forma nenhuma. Quando fomos chamados é que olhamos para ver se podíamos ajudar ou não. Participamos do primeiro de Marcelo Déda (PT) dando apoio político, parlamentar necessário e sem exigir e sem ter nenhum cargo e nenhum espaço no governo, ao contrário de outros grupos políticos, e na capital tem sido a mesma coisa. Se formos chamados pensaremos se temos ou não condição de contribuir com qualquer coisa, seja na Saúde, seja na Educação, e como já disse a secretária da Saúde, a deputada Goretti Reis (DEM), que naquilo que eu puder ajudar em Brasília, basta dizer como e onde que estou inteiramente à disposição, assim como o gabinete também está inteiramente à disposição.

JD – Depois desse novo entendimento para a aprovação do Proinveste, podemos dizer que se está caminhando para o novo entendimento político entre o grupo dos Amorim e o governador Marcelo Déda?
Eduardo – Entendimento político, não. Não se se trata de entendimento político, se trata de entendimento para os interesses de Sergipe e fazendo política com muita responsabilidade. Você vê que não somos praticantes e nem adotamos a política do quanto pior melhor estando na oposição. Queremos o melhor para Sergipe. Temos a obrigação de defender o melhor pra Sergipe. Foi assim que agimos e é assim que estamos agindo e vou dar um exemplo: Não fizemos como alguns prefeitos em alguns municípios que amarrando e engessando o Orçamento, não, defendemos dentro do grupo e dentro do partido que o projeto nesse caso, salvo algumas poucas emendas, deveria ser como o governo solicitou, e assim foi feito e assim concordamos, deixando claro que esse pensamento de que tudo é direcionado para 2014, está na cabeça de algumas pessoas de forma excessiva e até de forma perversa.

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