Kátia Azevedo
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Cerca de 40 mil passageiros que dependem do transporte intermunicipal realizado pela Cooperativa de Transporte Alternativo de Passageiros do Estado de Sergipe (Coopertalse) foram afetados na manhã ontem com uma paralisação de motoristas e cobradores.
Pelo menos 250 micro-ônibus da cooperativa deixaram de circular, afetando o sistema de transporte intermunicipal. Os manifestantes saíram em carreata pelas BR´s 101 e 235 com 170 veículos.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) esteve no local para liberar a via, que ficou congestionada, causando reclamações de motoristas que trafegavam pelo local. De acordo com a PRF, o congestionamento chegou a 6km no inicio da manhã, causando um acidente no viaduto de acesso a Aracaju.
Os manifestantes estacionaram os veículos às margens da BR 235 e depois seguiram até o Palácio dos Despachos, localizado na avenida Adélia Franco, na capital, onde tentaram uma audiência com representantes do governo para negociar o reajuste tarifário.
Eles pretendiam fazer a primeira parada na sede da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano (Sedurb), na rua Vila Cristina, em carreata, mas foram impedidos por agentes de trânsito, saindo então em comitiva ate a sede do órgão.
Entre as reivindicações da categoria, estão o reforço na fiscalização de veículos irregulares e autorização para o reajuste de 31,6% no valor das passagens. O diretor-geral da Coopertalse, José Reinaldo Santos, disse que já são oito anos sem a tarifa ter reajuste.
"O objetivo é chamar a atenção das autoridades para a gente conversar, porque da forma que está nós não temos condições nenhuma de trabalhar. Entre os nossos problemas, o transporte clandestino que só aumenta e não é fiscalizado. Também precisamos da autorização para um reajuste de tarifa que está defasada desde 2008 e de acordo com a análise de custos deve aumentar 31,6%", explica.
O diretor da cooperativa disse que em oito anos, os insumos aumentaram consideravelmente e, permanecendo o congelamento da tarifa, os cooperativos poderão parar efetivamente o sistema por falta de combustível. Ele também informou que para operar o sistema está sendo feita uma despesa diária de R$ 57,5 mil e o distribuidor só libera o combustível mediante depósito antecipado de pagamento.
Reinaldo também chama a atenção de que o combustível foi reajustado em 27% entre os anos de 2005 e 2012, enquanto os pneus sofreram aumento de 56% e o salário mínimo 120%.
Toda a frota de veículos retomou às operações normais às 12h30.
Usuários – Os usuários do transporte intermunicipal de todo o estado foram surpreendidos com a paralisação, que afetou 70% da frota.
Os ônibus que trafegavam na avenida Osvaldo Aranha, principal entrada de Aracaju, seguiam vazios para a garagem da Coopertalse. O resultado foi pontos de ônibus lotados e a reclamação dos passageiros que alegam que a categoria deveria ter informado sobre a paralisação.
A paralisação mudou a rotina da autônoma Raimunda Alves dos Santos, moradora de Poço Redondo, que encontrou dificuldade para retornar para casa. "Agora o jeito é esperar", lamentou.
"É uma falta de respeito com as pessoas. Poderiam ter avisado, mas infelizmente quem vive no interior não é lembrado", reclamou a funcionária pública Maria do Socorro.


